
Fenatran hoje é um dos 5 maiores eventos do ramo no mundo
A Feira Nacional do Transporte (Fenatran), hoje também dito “18º Salão Internacional do Transporte” realizada esta semana (24 a 28/10) no Anhembi, São Paulo, exibiu muitas novidades em especial sobre mudanças tecnológicas nos motores, retoques cosméticos para marcar modelia, anúncio de novas marcas e produtos. Mola de propulsão auxiliar, norma do Conama, conselho de meio ambiente e seu Proconve 7, seguindo o padrão europeu Euro 5 para controle de emissões poluentes. O Brasil grande, atrapalhado, cheio de órgãos, funcionários, gente não-concursada, gastos demais e ampla corrupção na área oficial dos transportes, é bom em discurso, péssimo no operacional. Assim, carga não viaja de trem ou barco, mas sobre chassi de caminhão. A expansão econômica e da fronteira agrícola, a distância continental entre local de produção e portos de exportação, as estradas ruins, punindo com baixa média horária ou quebra, exigem frota grande. E o maior mercado do mundo produzirá a maior variedade de marcas. Projetos de investimento industrial para médio e largo prazo, fabricantes norte-americanos e chineses abrindo operações, tem complicação acelerando na porta.
Novidades – Relação iniciando pela líder MAN, dona da Volkswagen Caminhões, ampliará área, atuação, terá produtos MAN para PBT até 74 T, fará seus motores no país. Toma o caminho EGR da recirculação de gases forma de dispensar o uso do aditivo Arla 32. Idem, a International retorna (pela terceira vez) ao mercado nacional. Atualizou seu modelo “cara chata” 9800, agregando um “i”, adequações para o Brasil. O caminhão é feito aqui, vendeu localmente, parou, dedicou-se às exportações e agora volta ao mercado interno. Transmissão sincronizada (a anterior, dita seca) exigia bons operadores, produto restrito. Exibiu caminhão conceito AeroStar, desenvolvido no Brasil e o DuraStar, motor frontal e cara norte-americana.
//// Estreantes, a chinesa Shacman se declara atualizada, com motores Cummins, 385 a 420 cv de potência e uso de Arla, e a Foton apresentou os leves Aumak para 9T e tração por motor Cummins ISF 3.8s 5089, injeção eletrônica de alta pressão Common Rail, torque máximo de 610 Nm e 170 cv a 2600 rpm. Outra aderente, a DAF Trucks, marca holandesa hoje controlada pela norte-americana Paccar, confirmou fábrica de última geração em Ponta Grossa (PR) e mostrou os caminhões que produzirá. Ativa, em ascensão, a Iveco desenvolve duas tecnologias para tratamento de gases, o EGR, de recirculação dos expelidos, junto com filtro de material particulado e a Redução Catalítica Seletiva.
//// A sueca Volvo aposta em sua linha pesada, com motores de 6 cilindros em linha na 3ª geração da série VM de pesados e extra-pesados e potências de 220 cv a 500 cv. Mercedes-Benz, ex-líder, em ato de coragem, mudou toda a linha, incluindo Sprinter, investindo R$ 1,5 bilhão, praticando a tecnologia Blue Effiency de menores consumo e emissões e com novidade gerencial na transformação da fábrica de automóveis em Juiz de Fora (MG) em unidade de produção de caminhões: o poderoso topo de linha Actros, o caminhão-do-patrão e a linha Accelo. Concorrente antiga, a Scania declarou-se apta a atender às exigências legais com reacerto geral de seus motores V8 e lançamento de novos L6, além de manter o pioneirismo na pesquisa do uso de etanol nos motores diesel, em provas na frota de ônibus urbanos em São Paulo. Novidades não restritas aos lançamentos, mas à tecnologia. Em comunicações, a Onixsat, exibiu o IsatData Pro, tecnologia satelital para comunicação livre em mercados nacional e internacional com mensagens de texto a baixo custo, e a SSAB, líder em produção de aços, mostrou os benefícios do Domex, de alta resistência, especial para a indústria do transporte ao reduzir peso do equipamento, aumentando o de carga útil.
Confusão – Simples entender a complicação sinalizada. O Brasil, atrasado por omissão do Governo e da Petrobrás, finalmente chega ao diesel menos poluente, exigindo alteração nos motores com este ciclo, e logística para atender às exigências de emissões. Na maioria dos casos as montadoras optaram por utilizar composto químico que, injetado pós-combustão no catalizador reduz os poluentes. O encontro do novo diesel com o aditivo, dito Arla 32 é uma trombada logística. O combustível não poluente exige novos e exclusivos tanques nos postos de combustível. E o Arla tem problemas de distribuição, chegando ao ponto de montadores se disponibilizar para acondicioná-los e vende-los em suas lojas. Também não há previsão do custo do diesel menos poluente ou de seu aditivo. Dificuldade adicional estará em achar o diesel não poluente e/ou o Arla nos postos de combustível nas estradas. Outra verdade emerge neste processo, demorado por inexplicados interesses (ou desinteresse) da Petrobrás: os caminhões terão preço majorado, seja em chassi seja por equipamentos.
Daí – Amostra do antagonismo adotado pelos transportadores estava na estrutura montada pela Volvo: 30 escritórios de vendas. A situação é, ou correr para comprar as últimas unidades construídas dentro da legislação atual, ou pularão 2012, deixando aquisições para 2013, quando o cenário da operação logística estiver mais claro. Os atuais caminhões poderão ser oficialmente construídos até 31 de dezembro e vendidos ao limite de 31 de março. Ou, projetadamente, os 2011 serão vendidos em tabela cheia (e algum sobre-preço) e os modelos 2012 terão que ser promovidos com descontos. Em resumo, 2012 não será bom ano na produção e vendas de caminhões. (Roberto Nasser / Fotos: divulgação FBA)