
Óbvio 828H: criação nacional, agora inglês, para ser feito aqui depende de legislação
O assunto carro elétrico sugere bons negócios no futuro, apesar de estudo da Price Waterhouse projetar em 2020 sejam 5% da produção mundial, e pouco impacto no mercado dos fabricantes de motores e transmissões hoje convencionais. Mas é mercado para bilhões de dólares.
Na Europa Renault lidera e fez acordos de mobilidade com alguns países, para a venda dos carros e fornecimento das estações de abastecimento. Portugal, o mais avançado deles, criou Gabinete da Mobilidade Elétrica para gerir o programa, prevendo-se 10% da frota seja de elétricos em 2020, e 10 mil vagas de exclusivo estacionamento com pontos de recarga em 2011. Na Alemanha, a Plataforma Nacional para a Mobilidade Elétrica, promete atingir um milhão de unidades circulando em 2020. Lá a BMW quer ser líder nos elétricos, e a Mercedes tomou a variante do desenvolver carros a hidrogênio. A China se prepara, definindo que o país se dedicará à tecnologia dos “apenas” elétricos, desprezando híbridos ou outras tecnologias, e começou pelo criar 10 mil vagas de estacionamento para elétricos, previstos em um milhão até (o sempre referido 2020), e as cidades com maiores problemas de poluição criaram incentivos a veículos que custem até equivalentes R$ 18.170. Nos EUA onde incentivos instigam e concedem descontos de até US$ 7 mil, há vendas factíveis de Ford Focus, Honda, Toyota Prius, e o Nissan Leaf, primeiro construído em larga escala, conquistou o prêmio “Carro do Ano 2011” no Salão do Automóvel de New York. Aqui, sem planejamento ou projeto público para a mobilidade elétrica, os modelos importados e vendidos, ´Ford Fusion e Mercedes E´ não são enzimas de projeto para redução de emissões poluentes por combustíveis líquidos, porém vistos como excentricidade de usuários em busca do cultivar imagem de amigos do meio ambiente. Mas, longe do circuito, empresários reconhecidos como Eike Batista, Nélson Piquet, Eduardo Souza Ramos se dizem interessados em investir. Há pouco, o desinteresse local forçou a venda a empresa inglesa do projeto desenvolvido pelo designer Anísio Campos, capaz de funcionar como híbrido ou elétrico. A questão é de engenharia tributária. Um elétrico pagaria IPI de 25%. Um 1.0 a álcool, 7%. Por si, em pequena escala, o elétrico custa mais que o convencional. A conta não fecha.
O outro lado – Vale a pena? Haverá clientela? Dúvida válida: haverá energia para suportar o aumento de demanda no reabastecimento dos veículos? O País, sem programa de matriz energética, com usina atômica de tecnologia e construção antigas, em local perigoso, sem estrutura de fuga – apesar do blá-blá-blá do ministro de Ciência e Tecnologia aloprando seu colega de Minas e Energia – não tem ou incentiva opção pelos elétricos. Ao contrário, assiste a lobbies poderosíssimos pela Petrobrás vendendo o petróleo do pré-sal, e o dos produtores de álcool, combustíveis líquidos para motores ciclo Otto. E o consumidor? Optará pelo sistema independente dos combustíveis líquidos – e sem trocadilho pela atual falta, sem liquidez?
Potencial – O IBM’s Institute for Business Value (IBM-IBV) pesquisou consumidores e executivos das montadoras indagando sobre mudança de um veículo movido a gasolina, diesel ou híbrido, para um elétrico. Respostas segmentadas: 3/4 dos executivos condicionaram a mudança a incentivos e ao custo do combustível atual, raciocínio individualista. Apenas 1/3 o faria por respeito à sustentabilidade, decisão social. Dentre os consumidores, metade individualista o faria empurrada pelo alto custo dos combustíveis. Resultados maiores de conscientização, a quase outra metade trocá-los-ia por razões ecológicas, e no mesmo caminho, um quarto relaciona poluição aos grandes congestionamentos.
Resultado, independentemente das razões de troca, dos compradores declarando pouco ou nada saber do assunto, mudando de carros por incentivo à aquisição, economia ao uso, ou preocupação em ecologia global, há um mercado potencialmente grande para os elétricos. Estes bilhões de dólares, à espera de serem colhidos, induzirão facilidades à produção, à necessidade, e meios para colocá-los ao alcance da mão do consumidor brasileiro, claro, se não houver o inviabilizador Apagão. (Roberto Nasser / Foto: divulgação)