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Às 21:23

Os argentinos com carro próprio em Genebra

4 fev

Cisitalia renasce: Fênix sobre rodas, brevemente será mostrado na Suíça

No dia 8 de março, abertura do Salão de Genebra, os argentinos farão surpresa ao mundo: apresentarão o Projeto Cisitalia 2015. Para quem conhece história, design e automobilismo, será agradável surpresa. O Cisitalia foi marco de estética e mecânica, liderada pelo multi-industrial Piero Dusio, criando o caminho da formulação esportiva básica iniciada no pós Guerra juntando gente criativa como Dante Giacosa na composição mecânica, Giovanni Savonuzzi como estilista e construtor. Eram da Fiat: engenheiro chefe de automóveis, projetista-chefe de aviões, para serviços em horas ociosas. Piero Taruffi foi o piloto de fábrica.

Belas linhas, perfil limpo e muita personalidade

Engenhoso, super ativo, fornecedor de fardas ao Exército, fabricante de bicicletas para uma Itália pobre, foi o primeiro a preparar-se para o fim da II Guerra, tendo produto novo, pioneiro, brilhante em mercado onde se retocavam os produtos dos anos 1930. Projeto maior que o sonho, Duzio ajudou a indenizar a liberação do professor Porsche, preso na França como criminoso de Guerra e foi o entusiasmo de Dusio querendo o melhor do melhor e o criativo austríaco dando asa aos sonhos, em especial um Fórmula 1 com tração nas quatro rodas, que o levaram à falência. Mudou-se para a Argentina em seu insandecido projeto de implantação de indústria automobilística e lá produziu 172 unidades. Conta o bom site argentino Autoblog.com.ar, a idéia ressurge com Carolina, sua filha mais nova e o marido, festejado arquiteto Alberto Diaz Lima, adquirentes aos demais herdeiros os direitos e acervo. Projeto iniciado com a contratação de Néstor Salerno, habilidoso reprodutor de esportivos clássicos para fazer inicial e não vendida série de seis unidades; acordo com o milanês IED, Istituto Europeo di Design e com Leónidas Anadón, artesanal produtor argentino da mais perfeita réplica do mundo, a Pur Sang Bugatti 35. Projetou e construirá os motores e transmissões com lay out antigo, atualizados tecnologicamente para rendimento e segurança. A fábrica argentina já reuniu o ferramental para fazer, artesanalmente, os componentes específicos. De acordo com o arquiteto Diaz Lima, a apresentação mostrará produto e projeto, que passa e a instalação de fábrica em Modena, Itália. Neste ano, construção na Argentina de complexo industrial; cultural, com o Museo Cisitalia, único no mundo; e turístico, com hotel boutique. Italianos, cinco modelos. Argentinos, veículos com linhas antigas e de um utilitário esportivo.

Vínculo histórico, consultor do projeto é Sergio Alberto Lugo, o Dottore Cisitalia,  maior especialista mundial na marca. Curioso ou interessado em investir ? www.cisitalia.com

Unidos do Telhado, o bloco do adeus >> A proximidade do Carnaval, o retorno à atividade econômica, a expansão de negócios, farão presença nos próximos dias com novos lançamentos e, consequentemente, forçarão o desaparecimento dos produtos a serem substituídos. A parcela legal, exigindo colocação de Airbags e freios com sistema ABS, leva ao fim os carros de projetos antigos, incapazes de receber tais equipamentos. Juntos, passeando à beira do perigo, fossem bloco carnavalesco seriam, sem dúvida, os Unidos do Telhado. Bloco bem fornido e, por ordem alfabética:

Citroën C3 – Sucessor pronto, ao aguardo da coragem da ordem de entrar no mercado, com a curiosidade concorrer com o modelo mais vendido da linha. O atual deve ser mantido em paralelo. // Chevrolet – Com a linha de produtos mais antiga, adota soluções com produtos montados sobre plataformas superadas, importação de modelos ou de peças para agregá-las aqui. Seu bloco é o maior. Classic – Órfão da família Corsa, merecido pelos compradores que o sufragam, quase 20 anos de produção antecipa a saída por razões de espaço industrial e pela falta de futuro sem os itens de segurança; Meriva – A ser substituído por outro monovolume de produção nacional, o Spin. Picape S 10 – Exaurida, substituída nos próximos dias; utilitário esportivo Blazer; Zafira – Vencida pelos anos e baixas vendas somará seu espaço de mercado com a Meriva em apenas um produto, o projeto PM7 agora chamado Spin. // Fiat – Continua o processo substitutivo da linha de automóveis e comerciais leves sobre a plataforma desenvolvida no Brasil. Desafio é trocar e manter a liderança. Siena – Sai de produção trocado pela nova linha, maior, diferenciada, saltará o modelo 2012, apresentado, com a urgência do consumo, como modelo 2013; Siena Fire – Velho modelo 2004, também varrido pela reformulação da linha. // Ford – EcoSport – Case da indústria nacional, chegará ao fim do ciclo neste semestre, substituído pelo modelo novo, global, apresentado em janeiro; Fiesta - Idem, substituído pelo recém apresentado Fiesta ST, até o final do ano; Fusion – Muito melhorado, elegante e equipado relativamente ao modelo atual. Terceiro trimestre; Picape Ranger – Trocado por novo modelo, mostrado mundo afora. Novas versões, motores gasolina e diesel, para concorrer em todas as faixas. Em maio. // Nissan – Desfruta o êxito de bom projeto de crescimento de mercado e quer atacar no segmento onde tem pouca exposição, o de picapes. Revitalizará o Frontier, fugindo da degola legal que barrará todos diesel não enquadrados na nova legislação de emissões. Frontier – Nova série, liderada por motor revisto. O 2.5 16V turbo evolui em potência. A versão de entrada salta de 144 para 163 cv, potência da versão superior, e esta pula de 172 a 190 cv. // Peugeot – Único projeto verdadeiramente novo em sua linha, o 308 será apresentado próximos dias. O 408 turbo colocado à venda é versão do bom sedã; // Toyota – Corolla revisto até o final do ano. O preço inexplicavelmente elevado promove venda da linha atual com desconto de R$ 4 mil. // VW – Picape Amarok: Nova edição, mais potente e com rica transmissão automática com oito velocidades. Em março. Na prática é o seguinte. Se for comprar um dos subidos ao telhado, barganhe.

Importadores sem fábrica trouxeram 199.366 unidades ao Brasil no ano passado

Montadoras aumentam exportação de divisas >> Dados oficiais do Banco Central indicam ter as montadoras operando no Brasil enviado US$ 5,58 Bilhões às matrizes em 2011. Valor alto numérica, percentual e relativamente à atividade, 36,1% superior ao mandado em 2010, embora a produção tenha crescido apenas 0,5% – 2010, 3.381.728; 2011, 3.406.150. Na prática, em 2011, sob rubricas diversas, a indústria automobilística pagou às matrizes o equivalente a US$ 1.630, aproximados R$ 2.825/veículo. O volume não combina com os produtos, protegidos da concorrência dos estrangeiros através de elevados impostos mais 30% de delta de punição e, por isto, com baixa tecnologia, e retoques locais sobre plataformas antigas. A remessa ocorre em ano estável para as matrizes das rentabilíssimas empresas locais. Em 2009 havia temor de terem ultrapassado a base legal em tentativa para salvar as controladoras. O exercício 2010 mostrou-as banindo a crise, mais cristalizadas, mas os repasses nacionais foram elevados, incrementados em 2011. Dados de indústria automobilística no Brasil são de pouca clareza, pois a maioria se transformou em sociedade limitada, dispensando publicar números de seus resultados. Tradicionalmente a indústria exporta grandes volumes de dinheiro e já enfrentou algumas CPIs e investigações a respeito. Um dos itens, o pagamento de assistência técnica provocou mudança na legislação ante a desconfiança de se tratar de remessa sem corresponder à prestação de serviços pelas matrizes.

Escambo: na Argentina, montadoras e importadores de veículos possuem termo de equilíbrio cambial que exige a curiosa negociação do azeite de oliva local

Os repasses de 2011 coincidem com as medidas, afagos e proteções baixados pelos Ministérios da Fazenda, Ciência e Tecnologia, e Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – a criação da barreira adicional e a gestação da permissão de reter parte do imposto sobre produtos industriais pagos pelos compradores e a chegar desfalcado aos cofres oficiais – um presente pago por nós contribuintes.

José Luiz Gandini, da Abeiva: protestos constantes (embasados em números) contra o aumento do IPI

Consumidor >> José Luiz Gandini, presidente da Abeiva, a associação dos importadores, pratica ativamente o Jus Esperneandi (brincadeira de advogados para o Direito de Espernear). Não perde oportunidade de protestar, buscar bom senso no Governo. Insiste sem resposta, quer informação lógica aos números que apresenta: o muro alfandegário é erigido apenas para os importadores sem fábrica. Os com fábrica no Brasil importam muito mais: 651.047 unidades, 19% do mercado doméstico. Os sem fábrica, 199.366 unidades, ou 5,82% do bolo. Gandini propôs ao Governo uma espécie de cota, conceito nunca admitido, desde que o Governo José Sarney (1985-1990) sinalizou para a abertura das importações. Sugere que 200 mil unidades (volume assemelhado às importações em 2011) possa ser trazido pagando apenas os elevados impostos vigentes até 17 de dezembro, quando se aplicou aos importados o adicional de 30 pontos. Gandini lembra ao Governo que não quer ser lembrado, que a presença dos importados refreia o ânimo dos elevados preços locais sobre carros sem conteúdo, o Fator Habib, nome do empresário que trouxe os chineses JAC equipados e forçou reduções nos concorrentes locais.

Roda a Roda >> Pra valer – A Volkswagen marcou para final de março iniciar vender nova edição do picape Amarok, brasileira incoerência de automóvel grande, diesel, transmissão automática. Como a Coluna antecipou nacionalmente, atrativo câmbio automático ZF com 8 velocidades e potência elevada a 180 cv.

Na real – O racionalismo alemão não entendia como alguém compra um veículo destes, diesel, em versão de topo, exigindo transmissão automática. Capitulou. Para enfrentar Nissan, Mitsubishi, Toyota (e proximamente Ford Ranger e Chevrolet S 10) promoveu casamento entre câmbio e motor, este com adicionais 10% em potência.

Definição – Indústrias como a BMW e a Chrysler tem interesse em fazer veículos no Brasil para enfrentar o adicional do IPI criado pelo Governo, dificultando a entrada dos importados e punindo o consumidor, contribuinte, eleitor, condenando-o a carros nunca evoluídos.

Luz - Entretanto o próprio Governo Federal, criador da barreira, não sabe dar solução à vontade dos investidores. Imagina-se em fevereiro surjam regra e tabela equilibrando imposição de impostos com índice de nacionalização. Tais números definirão produtos de BMW, Land Rover e Chrysler e dirão como fazer aos apressados JAC, Chery e Hyundai-Piracicaba.

Proteção – A medida protecionista do Governo Federal não é apenas cortina pesada para esconder e proteger a incapacidade nacional de competir no exterior, condenando o país a ser secundário no mundo. Mais ampla, também reduzirá o IPI sobre os carros nacionais – não repassada ao consumidor.

Mercado – A Fiat tenta aumentar espaço para exportações enviando o picape Strada à Europa. Como aqui, cabines simples, estendida, dupla; decoração Working, Trekking e Adventure. Motorização específica, diesel 1.3 16V 95 cv de potência. Quer transmitir aos europeus a moda brasileira deixando de ver picape como carro de entregas leves e de agricultor. Se conseguir…

Recall – Diz a Volkswagen ter percebido em testes de laboratório a possibilidade de trincas nos pontos metálicos de ancoragem dos cintos de bancos traseiros do SpaceFox (Suran, na Argentina). Consertará graciosamente nos revendedores os 6.731 carros com defeito. Dê uma olhada no site www.vw.com.br ou no fone 0800 019 5775

Melhores – Sorrisos em Itu, sede da importadora da Kia: o pequeno Picanto e o utilitário esportivo Sportage foram premiados na 14ª Edição dos Melhores Carros promovida pelo site Best Cars. É importante. Quando se fala em coreano a ideia é de Hyundais e, no caso, o Sportage superou o iX35.

Ungidos – Saiu a lista dos fabricantes considerados praticantes do índice de 65% entre peças e gastos nacionais, uma espécie de conceito da Zona Franca de Manaus aplicado nacionalmente.

Negócio – A Renault iniciou entregar as quase 1,3 mil unidades do utilitário Kangoo Express feita aos Correios.

Acompanhante – Vai à praia de carro? Convite o Wurth. O alemão, com sobrenome Cavity Wax, é cera em spray para proteger carroceria de ferrugem. Aplicou, secou, protegeu. Vale para qualquer chapa metálica.

Mais uma – Outra fábrica de pneus no Brasil. Agora a Sumitomo Rubber, com pedra fundamental em Fazenda Rio Grande, na grande Curitiba (PR). Investimento de R$ 560 Milhões, 1.500 empregados, 2.000 pneus para camionete/mês. Inauguração em 2013.

Deu certo – Crescendo em interesse, o 2º Salão Bike Show realizado no Rio de Janeiro, mostrou acerto em fórmula, local e prazo. Os 48 mil visitantes, importadores e fabricantes presentes, lançamento de produtos como o Scooter Bee 50 Alan e o pneu Michelin Commander II garantiram a próxima edição: última semana janeiro 2013. (Roberto Nasser / Fotos: divulgação)

Às 13:03

Posso desabafar? Eu detesto carros flex!

14 jun

Volkswagen Gol 1.6 “Total Flex”: primeiro carro nacional a oferecer o sistema

Invenção (de se usar dois combustíveis no mesmo motor) completou 8 anos, mas, aqui pra nós: isso é tão velho…

Desculpe, caro leitor, pelo título “odioso” lá em cima. Mas, se o que sinto é verdade e me levou a escrever, o fiz para dividir contigo. Espero que ame (ou odeie) ao menos a discussão do tema. No início desse ano a tecnologia “flex” (sinônimo do que se pode entender como veículo bicombustível) completou 8 anos. A oficialização dessa possibilidade começou no Brasil com a chegada do Volkswagen Gol 1.6 “Total Flex”, em março de 2003, que já se permitia ser abastecido somente com gasolina, com álcool (etanol) ou com qualquer proporção de mistura desses dois combustíveis.

A primeira lembrancinha que se deve ter é que, aqui no País, em 1975, ano da implantação do Proálcool (Programa Nacional do Álcool) a nossa gasolina já recebeu adição de álcool. No começo, cerca de 20%. Hoje, em cada litro da “gasolina” que você paga, 250 ml (25%) é de álcool. Pois bem, o que inicialmente parecia ser uma invenção sem muito sentido, tomou proporções avassaladoras e ganhou o gosto do público que compra carros até R$ 50 mil. Acima desse valor, na opinião do Presidente da Kia no Brasil, José Luiz Gandini, esse (vago) argumento do carro ser (ou não ser) “flex”, não faz a mínima diferença. Hoje, quase 100% da produção nacional de veículos de passeio (e alguns utilitários) saem de fábrica com motores “flex”. Mas, já não o eram em 1975? Sim: Fuscas, Brasílias, Opalas e Corcéis sempre queimaram os dois combustíveis. O fato de um carro ´beber´ álcool ou gasolina – somente – seria muitovantajoso se hoje em dia faltasse algum dos dois combustíveis nos locais de abastecimento, coisa que não ocorre desde os anos ´80, em época de racionamento. Nesse momento há combustível de sobra até nos mais fronteiriços recantos amazônicos. Outro ponto de vista. Para quem não sabe, a Citroën, por exemplo, relançou o seu sedã C4 Pallas, transformando-o em “flex”. Essa mudança não aumentou as vendas do modelo em uma unidade sequer, o mesmo ocorrido com vários outros carros de marcas diferentes.

Na “bomba”, em Alagoas, é mais vantajoso usar gasolina

COMO FUNCIONA? - Cada fabricante sempre tem o seu segredo no modo técnico de atuação, no entanto, Delphi,
Magneti Marelli e Bosch
(os verdadeiros criadores dos sistemas ´flex´) trabalham mais ou menos do mesmo jeito. Basicamente, o funcionamento de um carro bicombustível passa pelo reconhecimento e gerenciamento automático do tipo de combustível (ou dos tipos…) que acabaram de entrar pelo bocal do tanque e que será (ou serão) administrados eletronicamente. Centrais de análise “percebem” o que terão que queimar e sensores passam a interagir em busca de um melhor aproveitamento, controle de detonação mais eficaz, maior economia de combustível e menores taxas de emissões de gases poluentes. O empecilho principal para que essa invenção não funcione como deveria é a taxa de compressão, que teria que ser variável: uma taxa mais alta beneficiaria a queima do álcool e mais baixa, a da gasolina. O motor do carro “flex” fica em cima do muro e esse meio termo não é bom nem pra um e nem para o outro, prejudicando o consumo e escoando dinheiro pelo ralo, após sair do bolso do consumidor. Frigir dos ovos: todo carro flex é mais beberrão do que a versão original somente à gasolina. A física pode até tentar contrariar essa boba (e real) teoria, mas isso é fato. Para completar, há (especificamente nas regiões sul e sudeste) o problema da partida a frio. Um carro “flex” abastecido somente com álcool precisa de injeção de gasolina para poder “pegar” logo cedo e nos cruciais primeiros instantes de funcionamento (em busca de uma condição perfeita, mais eficaz), ele queimará gasolina (do tanquinho), numa operação mais poluente. Reconheço: a 3ª geração dos motores “flex” brasileiros melhorou. Você pode abastecer álcool ou gasolina ou misturar tudo e voltar a usar somente um dos dois que a eletrônica embarcada reconhecerá a administrará isso pra você da melhor maneira possível, mas, estudos e investimentos em motores pequenos e turbinados, por exemplo, que consigam doar muita potência com baixas emissões, são muito mais interessantes do que essa bobagem “flex”. Faça as contas: ao menos em Alagoas, sempre será mais vantajoso abastecer somente com gasolina. Posso dizer novamente? Eu odeio carro flex! (Fotos: divulgação)

Às 21:26

2011: um bom ano novo, de novo

31 dez

O ano deve se encerrar com a venda de 3 milhões e 360 mil unidades, superando as 3,13 milhões comercializadas em 2009. Resultado positivo contrariou previsões de especialistas e entidades apostando em retração ou empate. Ultrapassou a projeção otimista desta Coluna publicada em janeiro deste ano, apontando 5% de expansão, pouco menos de 3,2 milhões. Resultado “bombado” pelas eleições e seu fluxo de dinheiro, contabilizado ou não, indutores de consumo; pelo aumento de renda; pelas facilidades de financiamento; pelo incentivo da redução de impostos de amplo período para picapes e caminhões. O cenário mundial de retração ou congelamento levou o Brasil à quarta posição mundial. //// Ano que vem – Para 2011 pode-se projetar crescimento percentual entre 5% e 10%, mesmo em cenário econômico diferente, sem as vendas aditivadas pelas eleições; das dificuldades como o aumento da inflação e de seus métodos de controle elevando os juros. Entretanto, existirão fatores incentivadores de vendas: mesmo mantendo pífios níveis de crescimento, médios 4%, a expansão do mercado de automóveis deverá manter o índice dos últimos anos: 4 vezes superior ao crescimento do País. Há, adicionalmente como fator de indução, a sedimentação do conceito da posse do automóvel como elemento identificador de cidadania e de capacidade social – repetindo o ocorrido há 50 anos com a implantação da indústria da mobilidade no Brasil; e o espaço existente para o crescimento da massa de financiamentos relativamente ao PIB, soma de todas as riquezas produzidas pelo Brasil. Nos países em expansão o financiamento imobiliário chega a 10%, e aqui arranhou 3,7%, mostrando amplo espaço para crescer. O financiar automóveis está na mesma categoria. Na prática dos números: a motivação pela compra existe, e proibição das vendas sem entrada, e em prazo superior à vida confiável do veículo financiado, apenas reacomodarão as fórmulas de criar prestações mensais do tamanho do bolso da fatia de mercado que usa financiamento. Afinal, deve-se lembrar: o financiar veículos no Brasil é a atividade mais lucrativa de toda a cadeia econômica do automóvel. E será esta venda com financiamentos aditivos a coisa principal à continuidade da expansão. //// Parâmetros – Mercado em crescimento atrai concorrentes estrangeiros e provoca ações domésticas. O ano será rico em novidades importadas e taxadas; importadas com isenção; domésticas. Nem tudo são flores e, para balizar o mercado, há questões peremptórias exigindo ação política. Por exemplo: o Dólar barato relativamente ao Real insta as montadoras às compras de peças importadas, cujo percentual dentro dos carros nacionais veio crescendo e anda pela casa dos 20%. Quer dizer, a cada dia os carros nacionais estão cada vez menos nacionais, representando adicionalmente exportação de divisas, desequilíbrio da balança de pagamentos, desindustrialização interna. Ou, no balcão do seguro desemprego aumenta a fila dos metalúrgicos brasileiros cujos empregos foram suprimidos pelo crescendo das compras das auto-peças estrangeiras – que garantem vagas nos países de origem. Nesta parcela negativa deve-se observar o fato de que o País mantém-se exportando itens de pouco valor agregado, para importar os manufaturados – como fazia há 50 anos… Outro aspecto a ser olhado pelas autoridades nacionais: a crescente presença nas vitrines das montadoras aqui operando, dos automóveis feitos pela marca em países com acordos alfandegários com o Brasil. Há rápida expansão, e as marcas mais competitivas no mercado se socorrem destes produtos para enfeitar portfólios da montadora e showroom dos concessionários. Numa olhada, entre variedade e volume, os importados beneficiados com tal isenção tributária do Mercolsul e México, estão atualizados tecnologicamente, enquanto a produção doméstica vai-se mantendo com veículos de menor preço, antigos, ou sobre eles desenvolvidos. Perigoso caminho para torná-los comparativamente em tecnologia e preços, algo de segundo nível. Em resumo, para que se garanta a expressão nacional, há que se regrar o convívio com os veículos estrangeiros incentivados, em participação preocupantemente crescente. Outra questão que pode criar balizamento durante 2011 é a dúvida do comprador sobre os carros chineses, aprovação ou repúdio, em especial sobre a adequabilidade ao uso local, assistência, garantia. Há uma dezena de importadores e marcas no mercado e, até agora, não existe conceito vivo sobre os novos participantes vindos da China. Aparentemente esta referência de marco poderá surgir a partir das operações, com formidável estrutura, pelo Grupo SHC, com a marca JAC Motors. Bem sucedido profissional do ramo, titular do negócio, o Engº Sérgio Habib tem experiência na implantação e conquista de mercado, tendo trazido a Citroën, convencendo-a à montagem de fábricas de veículos e motores no Brasil. Tem grandes planos com a JAC, indo desde a especificação dos modelos ao gosto brasileiro; à montagem de rede com iniciais 50 concessionários – inaugurada no dia da apresentação da marca, em março. Se vitorioso, os chineses serão vistos com olhos menos críticos. Se não… //// Atrações – Alguns veículos serão pontualmente atrativos nas ruas. Dos novos franceses luxuosos – Renault Fluence e Peugeot 408; o Duster, espécie de ponto de vista Logan sobre o atual Ford EcoSport, delineado para ser líder na categoria, a começar pela tração total, fornecida pela Nissan. O próximo Eco, produto de exportação, será maior e apresentado neste ano. Referência importante no segmento dos pequenos, o moderno March da Nissan ocupará espaços, apesar das reduzidas dimensões. Características nitidamente urbanas, racionais, inovará no setor, como projeto nascido para ter motor 1.0, ao contrário dos outros nacionais 1.0, veículos maiores movidos por motores com a capacidade cúbica garroteada em 1000 cm³. Dos maiores, já em mercado, o novo Ford Edge melhorado em aparências e com grandes ganhos em conteúdo; os Jeep Grand Cherokee, sobre plataforma de utilitário esportivo Mercedes, com novo motor Pentastar V6, 3.5, 289 cv, com ótimo equilíbrio entre performance e consumo. Marca polêmica, a Hyundai propôs desafio ao mercado. Depois das boas vendas do sedã Azera, quer substituí-lo pelo Sonata, menor e mais caro. É para preparar compradores a pagar mais caro pela nova geração do Azera? Ou para iniciar aumento de preços em toda a linha, como o fez sem justificativa com o iX35, que deveria custar o mesmo que o substituído Tucson. Aliada na origem, inimigas localmente, apesar de produtos com a mesma base e pequenas diferenças, Kia e Hyundai tem ações diferentes e, após 59 mil unidades vendidas no ano passado, os concessionários Kia cobram menores preços ao importador para enfrentar os Hyundai, que gozam de incentivos e, por isto, podem ter preço final menor. Importado importante será o Audi A1. Configurado para o mercado brasileiro, para ser pequeno e Premium, a R$ 89 mil com a proposta de ser ágil, maleável, porém transportando 4 passageiros – impossível nos concorrentes Smart e problema no Mini. Quer exibir-se como a melhor fórmula urbana e criar moda – extremamente importante para o realce da marca. Importados deverão ser atração da Volkswagen para suprir a faixa mais elevada de preço com o Jetta e ocupar a faixa onde hoje estão os envelhecidos Polo e Golf. Em resumo, ano bom em vendas e com boas questões para ser respondidas, iluminando o futuro. Láureas e glórias têm seus problemas e o Brasil tem adiado regulamentar e criar planos e projetos para o mercado e seus automóveis. Aliás, para evitar omissões, já fizemos quase 60 milhões de veículos; temos registros de patentes industriais no setor; somos recordistas ocidentais em quantidade de marcas; mercado ascendente em produção e consumo; quarto mercado mundial. Porém, explique isto a um estrangeiro que não entende o porquê de não termos uma indústria nacional e um carro brasileiro. Nem projetado aqui, nem construído para as verdadeiras situações de exigência do País, um pouco diferente dos pavimentados estacionamentos dos shopping centers, piso para o qual são os projetos estrangeiros para serem adaptados e construídos aqui. (Roberto Nasser, p/ Gazeta Automóvel)

Às 1:55

Um ano de desafios, mas com motivos para comemorar

31 dez

Marcos Oliveira, da Ford, celebra bom ano de vendas

 Chegamos ao final de 2010, um ano de muito trabalho e de grandes resultados. Tivemos uma série de lançamentos, crescimento na satisfação de nossos clientes e recorde de vendas. Todos esses fatores colaboraram para que o ano fosse excelente. No primeiro semestre de 2010, começamos com a reestilização do EcoSport e tivemos na seqüência o Focus 2.0 L Flex, a Transit Chassi e o Fiesta RoCam, que ganhou mudanças no design. Recebemos também a visita do presidente mundial e CEO da Ford, Alan Mulally, que veio conhecer as nossas operações e anunciou a ampliação dos investimentos no Brasil. Foi mais uma demonstração de confiança no crescimento do País, deixando claro o reconhecimento do trabalho feito para a manutenção de uma economia sustentável, exemplo para várias partes do mundo. Na continuidade de lançamentos, apresentamos nosso novo carro de plataforma global, o New Fiesta sedã, vendido em diversos países e referência mundial em segurança, criatividade e qualidade. Surpreendemos o mercado também lançando no Brasil o Fusion Hybrid, um marco de sustentabilidade, que trouxe a tecnologia híbrida para o País. A série de lançamentos foi concluída com o crossover Ford Edge 2011, que chegou ao Brasil apenas três meses depois de ser introduzido na América do Norte. Além de trazer tantas novidades para o mercado, é uma grande satisfação ver que esses produtos agradaram os nossos clientes. O New Fiesta já está com vendas na casa de 1.500 unidades mensais. O Novo Focus briga pela liderança entre os médios. O Fusion é o líder dos carros de luxo com 33% desse mercado e o EcoSport lidera absoluto entre os utilitários esportivos. O Fiesta RoCam está entre os populares mais vendidos do País, ao lado do KA. O Edge, que acabamos de apresentar para a imprensa especializada, terá sua oferta ampliada e representa uma nova oportunidade em um segmento de alta imagem, e a Transit Chassi, que completa a nossa linha de vans, a mais moderna do País, vem crescendo nessa área. Realmente tivemos motivos para comemorar em 2010, mas este também foi um ano de muitos desafios. A concorrência ficou mais acirrada com a chegada de novos competidores. Projetamos uma indústria total de 3 milhões e 450 mil veículos em 2010 no mercado brasileiro e a Ford deve fechar o ano com cerca de 360 mil veículos vendidos no País. Crescemos em volume de vendas e, mais importante, não perdemos participação neste ano de forte concorrência de veículos nacionais e importados. No acumulado, a nossa participação de mercado avançou, enquanto outras marcas perderam espaço. Tivemos um crescimento expressivo também em caminhões, um setor que tem sido um dos motores da nossa indústria e com excelentes perspectivas para os próximos anos. Nosso volume nos veículos comerciais deve chegar a 27 mil unidades em 2010. Por tudo isso, acreditamos que a marca Ford continuará a fazer muito sucesso em 2011. Conhecemos bem nosso mercado, onde estamos há mais de 90 anos. Também temos orgulho de ser pioneiros na produção de automóveis em alto volume no Nordeste brasileiro. O Brasil e a região nordestina, em particular, são grandes mercados. Nossa presença em Alagoas é muito bem representada por excelentes parceiros, nossos distribuidores, altamente capacitados. Neste momento em que mais um ano termina, é época de refletir e, mais que tudo, comemorar os avanços e ter um tempo de boas festas. Feliz Ano Novo ao povo alagoano. Boas festas! (Marcos S. de Oliveira, Presidente da Ford Brasil e Mercosul, especial p/ Gazeta Web)

Às 1:32

Perspectivas, investimentos e muito trabalho a fazer!

30 dez

Schmall: árdua missão em andamento

   A Volkswagen vai investir no Brasil um total de R$ 6,2 bilhões de reais no período de 2010 a 2014 visando o aumento da sua capacidade de produção e a ampliação da sua linha de produtos, para atender a crescente demanda pelos automóveis da marca no mercado. Nesse sentido, vamos aumentar a capacidade de produção da fábrica da Anchieta de 1.300 para 1.600 veículos por dia, o que ampliará o volume de construção da VW para 3.500 veículos/dia. Além de investirmos em equipamentos, contratamos este ano um total de 1.300 novos funcionários. Neste ano que termina, a produção de todas as fábricas deverá atingir 832 mil unidades, um crescimento de 8%. Este volume representa um total de 240 mil unidades, ou 40% a mais em relação a nossa produção de um passado recente. As vendas totais da empresa, entre automóveis e comerciais leves, deverão fechar o ano com um crescimento de cerca de 5% superior às 684.000 unidades comercializadas no ano passado. As vendas de automóveis da marca deverão registrar praticamente o mesmo volume de 2009, enquanto as de comerciais leves deverão atingir um crescimento da ordem de 72% sobre 2009. Vale destacar que o Gol mantém-se na liderança de mercado pelo 24º ano consecutivo. São 263.978 unidades vendidas, ou seja, 64.000 unidades a frente do segundo colocado agora em 2010. As exportações da marca deverão fechar o ano com um aumento de 26% em 2010, atingindo cerca de 160 mil veículos, e as importações deverão somar um total de 38.000 unidades emplacadas. A importância da Volkswagen do Brasil para as operações mundiais do Grupo Volkswagen vem aumentando. O nosso País responde atualmente por 17% das suas vendas totais, desta forma, temos um papel muito importante na nova fase de globalização tecnológica do Grupo, que tem o objetivo de alcançar a liderança mundial no mercado até 2018. A nova fase tem início em 2011, com a implementação de uma maior conexão tecnológica entre os produtos desenvolvidos no Brasil e o que existe de mais moderno dentro do Grupo Volkswagen. A VW do Brasil vai utilizar plataformas, unidades eletrônicas e conjuntos motrizes desenvolvidos pelo Grupo. Como parte dessa estratégia de crescimento, a empresa está planejando para 2011 um total de 23 novos lançamentos no Brasil. Nosso objetivo é vender 1 milhão de unidades em 2014, de modos que a Volkswagen está encerrando o ano de 2010 com um excelente desempenho e planeja um 2011 com muitas novidades para o consumidor brasileiro. É dentro desse contexto de comemorações que quero aproveitar para desejar a todos os consumidores e leitores da Gazeta de Alagoas e também aos seus profissionais um Feliz Natal e um ano novo de muito sucesso para todos! (Por Thomas Schmall, Presidente da Volkswagen do Brasil, especial p/ Gazeta Web)

Às 2:41

O foco nas mudanças e a continuidade do trabalho

29 dez

Denise Johnson: quase 6 meses à frente da GM nacional

  O ano de 2010 foi especialíssimo e passou muito rápido. Nestes últimos cinco meses tive o privilégio de assumir a presidência da General Motors do Brasil e tivemos inúmeros lançamentos de produtos, dentre os quais, as picapes S10 Rodeio e Nova Montana, o esportivo Camaro e o sedã de luxo, Omega Fittipaldi. Teremos uma continuidade de muitas atividades para a General Motors e Chevrolet. Nos próximos anos apresentaremos uma extensa lista de novos lançamentos de veículos. Serão 10 inéditos modelos até o final do ano de 2012. Vamos manter o foco considerável na execução impecável de renovação da nossa linha com os novos produtos e também garantindo que o nosso plano de investimento continue no caminho certo. Estamos confiantes na evolução do mercado automotivo brasileiro e continuamos preparados para sermos competitivos e para lutar por nossa participação cada vez maior no mercado com uma linha Chevrolet renovada. A nossa marca estabelece neste ano de 2010 um novo recorde histórico de vendas, superando as 595 mil veículos registrados em 2009. Devemos fechar o período com cerca de 650.000 veículos emplacados. Nós também estamos orgulhosos do reconhecimento de quatro novos produtos pela mídia brasileira. Não podemos deixar de celebrar a Abiauto e a TV Top “Pick-up do Ano”, “Chevrolet Melhor Stand”, prêmio este obtido no Salão do Automóvel de São Paulo e do Camaro como “Best Sports Car” da AutoPress e Revista “Car and Driver”. Gostaria também de mencionar um prêmio especial da nossa empresa, que recebeu da ADVB o “Top Ambiental 2010” com a Chevrolet Flexpedition, o reconhecimento do compromisso da GM com a sustentabilidade. Então, nós temos muitos motivos para comemorar. Vamos continuar trabalhando firmes em 2011 e desejamos votos de Boas Festas a todos. (Por Denise Johnson, Presidente da General Motors do Brasil, especial p/ Gazeta Web)

Às 23:52

Olhar para a frente com os pés no presente

27 dez

Belini, da Fiat: anúncio de investimentos e fábrica nova

 É final de ano, a hora certa de olhar para a frente, lá na frente, para projetar onde queremos chegar e qual caminho vamos percorrer, sem, porém, esquecer jamais o que construímos e as relações que cultivamos e nutrimos. O que seremos no futuro é o resultado de nossas ações no passado e no presente, do acúmulo de experiências e realizações que moldaram o espaço em que nos inserimos, o cenário de nosso desenvolvimento e as bases de nossa identidade. O Grupo Fiat vai moldar seu futuro valorizando sua história, em busca de ganhos de competitividade que permitam responder com agilidade à acelerada expansão do mercado interno, à necessidade de recuperação da importância do Brasil nas exportações globais de veículos e ao desafio da inovação constante. Nossa estratégia de expansão se traduz no maior plano de investimentos já anunciado pelo Grupo Fiat no Brasil. Para o período de 2011 a 2014, o grupo aprovou investimentos de R$ 10 bilhões, em um ritmo de expansão ainda mais vigoroso do que o executado entre 2008 e 2010, quando investimos R$ 6 bilhões. São recursos que se transformarão em novos produtos e tecnologias, na expansão da capacidade de todas as áreas de negócios do grupo no Brasil e no fortalecimento de nossas marcas. As operações da Fiat em Minas Gerais receberão R$ 7 bilhões em investimentos, o equivalente a 70% do total a ser aplicado. A Fiat Automóveis em Betim, Minas Gerais, terá sua capacidade de produção otimizada. Esta já é hoje uma das maiores fábricas de automóveis do mundo, com capacidade de produção de 800 mil unidades por ano. Um estudo minucioso indica que, com a eliminação de gargalos de fluxo e produção, com a atração de novos fornecedores e ganhos logísticos, é possível elevar sua capacidade de produção para cerca de 950 mil unidades por ano. Significa, na prática, adicionar à planta de Betim uma outra fábrica, com a expressiva capacidade de produção de 150 mil unidades por ano. Paralelamente, a Fiat investirá R$ 3 bilhões na implantação de uma nova fábrica em Pernambuco, com capacidade para produzir 200 mil veículos por ano, a partir de 2014. Trata-se de investimento estratégico para a Fiat e para o Nordeste, que trará crescimentos, empregos e vantagens competitivas e logísticas. Assim, a Fiat poderá atender melhor o mercado e garantir a liderança de resultados. Trata-se de processo renovador da Fiat, que prepara a celebração dos 35 anos de produção no Brasil 2011. Trata-se de crescer com o Brasil e os brasileiros, valorizando nossa história e geografia comuns, que são o grande patrimônio que continuaremos a respeitar no futuro. (Foto: divulgação)* Por Cledorvino Belini (*Presidente do Grupo Fiat para a América Latina, especial p/ Gazeta Web)

Às 1:16

O ano de 2010 e as coisas do mercado

27 dez

Mais um ano de crescimento, de expansão do mercado automobilístico acima de todos os demais índices. E, no setor, em particular, automóveis e comerciais leves deram o tom. Na prática das vendas cerca de 3,5 milhões de veículos, quarto volume mundial. Em análise focada, campo enorme, pois exceto China, líder em expansão num mercado imensurável; EUA em tentativa recuperação; o Brasil dos mais promissores campos do mundo, justificando interesses, investimentos, quantidade inacreditável de marcas – umas três dezenas, expansão das usinas aqui existentes e sinergia com outras unidades industriais no Mercosul e América Latina. Bom? Ótimo para a empregabilidade, da dinamização de negócios ligados a automóvel, do borracheiro ao banqueiro financiador, dos tesouros federal, estaduais, municipais, idem. Porém, o outro lado da moeda é opaco, sem cuidado, escondendo enorme acidentalidade, mortes, o ocupar desordenado das cidades, ausentes as regras sobre veículos e espaços, e providências obtusas como restrições à circulação dos veículos. A sociedade é ausente nas cobranças sobre os elevados impostos, sua falta de retorno, os veículos deficientes em equipamentos capazes de reduzir danos em acidentes, o uso das cidades por gente e veículos. //// Como foi? Ano atípico, interessante para ser estudado e entendido. Em panorama internacional bom o início de recuperação da GM, fazendo lucros e diminuindo o controle do Estado norte-americano. Ainda é de um terço, como acionista majoritário, mas a tendência é a volta à independência. Será menor. Ex-segunda, agora maior das norte-americanas, a Ford manteve-se livrando dos periféricos, passou adiante a Volvo e Aston Martin. Foca em carros menores e motores turbinados, com cilindrada inferior, caminho da racionalidade. //// O casamento entre Chrysler e Fiat é bailado tátil, com idéias, propostas e avaliações. Na Itália a Fiat desistiu de vender a Alfa Romeo à Volkswagen, dela fazendo a marca da volta ao mercado norte-americano. Primeiro passo da simbiose aparentemente impossível, o marcante Chrysler 300 teve sua impositiva grade mudada, amenizada, italianizada, para ser vendido na Europa como Lancia. //// Houve cenário de sustos com a quantidade de recalls pela Toyota, em amplo leque de problemas, modelos e quantidades, prova que mesmo nas empresas mais referenciais, há o perigoso momento da empáfia, quando a auto apreciação ofusca a lógica, cega o bom senso. No caso, a Toyota, referência industrial e acadêmica em processos de racional qualidade, sentiu-se superior, capaz de resistir a tudo, descurou de sua aferição e tomou prejuízo bilionário, em recursos e imagem. Não fosse dirigida pelo bisneto do fundador, teria outro presidente mundial. //// Aqui – 2010 foi o ano da coragem. Coragem da marcação de preços com generosa margem de lucros, acima de qualquer referência numérica ou monetária. Todas as importadoras e montadoras realizaram sólidos lucros. No cenário do luxo, das maiores estrelas da lucratividade unitária, a Audi retomou o caminho do sucesso no Brasil. Cumpriu metas ambiciosas, e prepara-se a vendas volumosas com o A1, charmoso urbano bem motorizado, espaçoso quanto aos concorrentes Smart e Mini. Marcas de luxo iniciaram vender carros ecológicos, como Mercedes e Ford Fusion Hybrid. //// No mercado das montadoras maiores a Fiat conseguiu os melhores resultados: iniciou família com o Novo Uno, de intensa demanda; manteve a liderança de vendas e, no segmento de picapes, faz barba, cabelo e bigode. Na marca o reflexo da agilidade: a compra de fábrica de motores BMW no Paraná deu-lhe a base para nova geração de motores modernos, leves, com grande torque em baixas rotações. Chamados EtorQ, enzimatizaram o comportamento dos Fiat, alavancando vendas. A Volkswagen mantém a segunda posição, seguida por GM e Ford. Em quinto, a PSA, união Peugeot-Citroën, deve fechar com a láurea. No panorama industrial a Kia, na Coréia outro braço da Hyundai, e aqui inimiga ferrenha, fez acordo industrial no Uruguai e monta caminhõezinhos. O mercado nacional parece ter-se cristalizado na formação da República dos Pequenos Quatro Cilindros. A Suzuki anunciou fazer fábrica para o jipinho Jimny; Honda e Toyota terão carro pequeno; e a Nissan quer trazer do México, sem imposto de importação, o March, com promessas de produção local. No tema, como importado com isenção alfandegária, o Fiat 500 será feito no México, na fábrica do descontinuado PT Cruiser. //// Em vendas, interessante observar a mudança da política de comunicação da Nissan. Não se perdeu em consertar as partes desgostadas pelos consumidores nos Livina, mas baixou preço e fez anúncios de agressiva comparação. Idem para o picape Frontier, de pouco divulgadas características. É curiosa a pouca expressão de vendas do argentino picape VW Amarok no segmento. Inequívoca qualidade, mas sem opção de transmissão automática, vendas baixas, ainda não disse a que veio. No tema a Toyota lidera no segmento de picapes de luxo e utilitários esportivos, apresentando versão do RAV 4 com tração apenas em duas rodas. Devia chamá-lo, em nome da proteção ao consumidor, RAV 2. Francesas Renault e PSA adotaram a fórmula Mercosul, pela qual se tomam produtos para mercados em desenvolvimento e adequam conceitos e detalhes aos compradores do Cone Sul. É assim com o Renault Fluence, sedã sobre plataforma do Mégane geração não trazida ao Brasil; e com o novo Peugeot 408. Maiores, motores 2.0, automáticos, confortáveis, linhas para países em desenvolvimento. A Citroën iniciou renovar sua linha com o Aircross, bem formulado, bem vendido, e retrato básico do substituto do C3. No sub trópico a Renault avia esta fórmula com maestria sub tropical através do Logan, do Sandero. Em 2011 o fará com o jipinho Duster, no qual projeta grandes vendas – e lucros. Os franceses dividiram o Mercosul: luxo na Argentina, simplórios no Brasil. //// Lazer, trabalho – O segmento dos comerciais leves se expandiu acima dos automóveis, mas nada igual ao de caminhões e ônibus, em recuperação das más vendas de 2009. Foram os recordistas de expansão, assinalando, a grosso modo, 40% de crescimento. O número chinês se deveu à supressão dos impostos e aos financiamentos incentivados pelo BNDES para contornar a crise de liquidez externa. Mercado de tal forma aquecido permitiu à Iveco, braço de caminhões da Fiat fincar sua cunha no mercado e, justificar a MAN da Alemanha fazer as costuras para iniciar montar caminhões de sua marca, assim como incentivar a recente junção de Caterpillar e International em criar a marca NC2 para produção no país. //// Motos – Apesar da expansão do número de fabricantes, utilizando peças chinesas e indianas para fazer motos de média e pequena cilindrada, o segmento não teve um bom rendimento. Particularmente, a BMW teve ótimo crescimento: 40%. Traduz o início da montagem em CKD na Zona Franca de Manaus e redução de preço. Entusiasmou-se e também montará a FX 800R a R$ 38 mil. Entendeu: baixou o preço, as vendas aparecem. A Kawasaki seguiu o caminho, e a Harley-Davidson se estrutura para assumir-se comercial e industrialmente no país. //// No legal – Pouco a comemorar. A inspeção de segurança veicular continua sendo selva perigosa, com preços, reprovações, critérios de pouca verificação, mas sempre presente necessidade de ser implantada – porém sem a exploração que hoje motiva a briga pela operação do serviço. Tento, o Denatran criou cadastro para registrar os veículos que se apresentam a recall, para ser consultado. //// Cultura – Guardiões da história, os museus tem pouco a festejar neste ano. O Veteran Car Club de Minas Gerais anunciou fazer o seu em Belo Horizonte, mas a idéia não se adensou. No Rio Grande do Sul, o equipamento de maior expressão, o da Ulbra, foi fechado, com acervo vendido. Notícias de Caçapava (SP), dizem da possibilidade da cessão do acervo do fechado Museu Paulista de Antiguidades Mecânicas à prefeitura municipal, com a responsabilidade de operá-lo. Em Brasília o Museu do Automóvel, único a preservar a história da indústria nacional enfrenta ação de reintegração de posse pela União. O Ministério dos Transportes quer o bem cuidado espaço para guardar arquivo morto de órgão extinto. Ainda em Brasília o Batalhão de Logística fez belo resgate histórico do Ford Galaxie 1976 do Ex-Presidente JK. Restaurado, devolvido ao Memorial JK, resta sem cuidados. //// Então… Ano ótimo, invulgar, de crescimento, fortalecimento, elevada lucratividade para fabricantes, montadoras, importadoras, financeiras. Agora, ao final do ano, o Governo Federal deu presente à Fiat, com legislação de incentivo pela qual é a única com condições. A marca dividiria operações com fábrica nova no porto pernambucano de Suape. (Roberto Nasser)

Às 19:33

O ano da superação da indústria brasileira

28 dez

 

Belini, da Fiat: otimismo para 2010

Belini, da Fiat: otimismo para 2010

Por: C.Belini* /// O setor automobilístico brasileiro encerra o ano de 2009 com uma agradável sensação de superação e de conquista. Exatamente um ano atrás, o cenário era bastante sombrio e duvidoso, e ninguém ousava fazer um prognóstico positivo. Para surpresa de muitos, o ano termina com um novo recorde de vendas no mercado interno, com um crescimento de 10% sobre 2008, e praticamente os mesmos patamares de produção do ano passado. O Brasil consolidou este ano sua posição como quinto maior mercado e o sexto maior fabricante de veículos do mundo. Em 2002, éramos apenas o décimo colocado. Este resultado deve ser creditado tanto ao acerto das medidas governamentais para fortalecer a economia brasileira diante da crise financeira internacional quanto ao alto grau de maturidade e competência alcançado pela indústria automobilística brasileira, resultado de um vigoroso programa de investimentos em capacidade de produção e desenvolvimento tecnológico dos seus produtos. A Fiat Automóveis, por sua vez, tem ainda mais motivos para celebrar o ano que se encerra. Mantivemos o nosso plano de investimentos no valor de R$ 5 bilhões entre 2008 e 2010, dos quais os cerca de R$ 1,8 bilhão restantes serão aplicados ao longo do próximo ano. Juntamente com a fábrica da Fiat na Argentina, conquistamos uma capacidade de produção da ordem de 1 milhão de veículos por ano. E, para completar, a Fiat foi, pela oitava vez, a marca preferida do consumidor brasileiro, com a liderança de vendas de automóveis e comerciais leves. É uma conquista significativa, porque representa o reconhecimento explícito da qualidade e excelência dos nossos produtos por quem é mais importante no nosso negócio: o próprio cliente. Portanto, ao analisar o ano que termina, temos que dirigir uma palavra especial de agradecimento aos nossos milhares de clientes em todo o Brasil, que confiaram na nossa marca e nos nossos produtos. É para o cliente final que são dirigidos os esforços de cerca de 20.000 pessoas que trabalham direta ou indiretamente na Fiat, bem como os cerca de 500 concessionários da nossa marca, direcionados para oferecer o melhor atendimento nas vendas e nos serviços de pós-vendas. O setor automobilístico brasileiro tem todos os motivos para esperar que, em 2010, tenhamos um mercado ainda mais forte, diante das expectativas favoráveis da economia para o próximo ano. Se depender da Fiat, podemos garantir que nossa marca continuará a oferecer aos clientes os melhores produtos, com design e tecnologia de ponta e todos os elementos para assegurar a sua plena satisfação. Apesar dos avanços notáveis e das melhores expectativas para 2010, precisamos manter a atenção redobrada diante dos riscos de que a crise financeira internacional ainda encontre novos focos de eclosão. O Brasil passou bem no teste de 2009, mas não poderá resistir sempre com a adoção apenas de medidas anticíclicas. As reformas estruturais, focadas na obtenção de maior competitividade do País, não podem esperar mais, sob o risco de perdermos toda a vantagem que conseguimos consolidar até agora. Precisamos ter um forte sentido de urgência em relação a temas já bastante debatidos, como a infra-estrutura, as reformas dos sistemas tributário, previdenciário e trabalhista e, sobretudo, promover prioritariamente a educação de massa voltada para a capacitação tecnológica, capaz de nos assegurar a conquista efetiva de um patamar de desenvolvimento para todos os brasileiros. (* Cledorvino Belini é Presidente da Fiat na América Latina / Foto: divulgação)