
Versão com tração simples, mais adequada à briga com a concorrência
O mundo do automóvel tem coisas surpreendentes: há Presidente de montadora que não conhece automóveis e nunca havia entrado numa fábrica; existem engenheiros que deles não gostam; relações públicas que detestam carros, e quem deles gostem; jornalistas “especializados” que não sabem dirigir; outros que desconhecem a história sobre rodas e há, também, publicitário que pensa que o mundo surgiu no dia de seu nascimento. Registros inacreditáveis. Entretanto, no nosso modo de ver, um dos pontos mais surpreendentes neste fascinante mundo, é que um dos credos, axioma respeitado, embora nem sempre com crédito ao autor (aliás, ao cantor), diz: “Todo artista deve ir aonde o povo está”. A frase está na música “Nos bailes da vida” dos mineirinhos Milton Nascimento e Fernando Brant. Obra de arte em música e marketing. Regra geral, válida para tudo, no caso, adaptado ao tema dessa matéria, o produto deve ser o que o comprador quer.

Painel completíssimo, tem tecnologia da Microsoft
Suave, apreciadora de música e cinema, Lucíola Almeida, gerente de produto na Ford, deve ter-se lembrado da frase e visto as especificações dos carros do segmento, tomando um susto: brasileiro quer aparência, promessa visual e ´auto-convencimento´. Conteúdo, capacidades, habilidades, são itens desprezados na grandíssima maioria. É o que explica os Hyundai Tucson, Kia Sportage…, todos aparentando grandes capacidades de se impor e arrostar dificuldades, entretanto apenas automóveis com jeito de jipe, motores pequenos, tração simples. No Toyota RAV4, por exemplo, o “4” da sigla sugere tração em todas as rodas, mas sua versão de entrada tem-na apenas nas dianteiras…

O teto panorâmico ocupa 70% da área da capota: diversão para a garotada
A Ford observou o perfil dos usuários, seu interesse tecnológico, casando com o caminho aberto pela matriz de desenvolver sistemas com a Microsoft, transformando seus produtos no de maior interatividade. Deve ter aplicado visão libertária fugindo da ditadura PP, do preto e do prata, outra trapalhada nacional. Moldou o produto: variedade de cores, tração simples na dianteira, manteve o bom e moderno motor V6, 3.5 litros, 289 cv e bons 34 kgf.m de torque, preso a transmissão automática de 6 velocidades, conjunto acima dos demais tração simples do mercado, com motores no milhar de dois litros. A parte tecnológica tem Bluetooth, sistema multimídia SYNC-Microsoft, GPS com mapas brasileiros, com ordens em português ilustrado com sinônimos e tela de 8 polegadas por toque. E confortos como bancos com regulagem elétrica de 10 posições, câmera de ré, rodas aro 20, som da marca Sony Premium e a larga relação de confortos na versão superior, Limited, com tração em todas as rodas, a famosa AWD.

Mistura de SUV e Crossover, o Edge tem público seleto e que gosta de um pouco mais de exclusividade
Em mais de 60 países, multipremiado, feito no Canadá, sem dispensa de impostos, a Ford vendeu 1.600 unidades até novembro deste ano. Quer mais em 2012. Se válida a Teoria de Milton Nascimento, deve conseguir chegando aonde o povo (e suas preferências) estão.
Quanto custa a máquina? A Ford sugere (por causa de diferenças de fretes em várias regiões do Brasil), os seguintes preços nas versões a seguir apresentadas (por ordem de luxo e opcionais): SEL (R$ 119.900); Limited (com tração simples) R$ 133.000; Limited (com tração simples e teto panorâmico) R$ 142.000; Limited (com tração AWD) R$ 138.000 e LImited (com AWD + teto solar) R$ 147.000.

Pontinha do iceberg daquilo que virá a ser o Novo Ecosport
Global, a nova Ford – As consequências do projeto de produtos globais enfim, chega ao Brasil. “Produto global” foi a diretriz que a Ford tomou para padronizar seus automóveis, diminuir custos, não entrar na crise da indústria automobilística norte-americana que apequenou a GM e acabou com a independência da Chrysler. Na prática era acabar com a política cítrica – a que achava ser o mundo uma laranja fazendo produtos com alguma semelhança se estivessem no mesmo gomo. Pelo novo projeto, a padronização de produtos é para valer. Assim, se é para ter um pequeno utilitário esportivo aqui, outro eventual do mesmo porte, será exatamente igual. O Brasil andou fora do negócio com o EcoSport, existente apenas aqui, assim como o novo KA. Agora, em fim da vida útil, os sucessores falarão linguagem internacional. É o que justifica a apresentação do novo EcoSport num insólito 4 de janeiro, quando os compradores brasileiros migram ao verão: é que os indianos inaugurarão o Salão de Nova Déli no dia 5 e, nele, a maior atração da Ford será, exatamente, nosso primeiro produto globalizado, o EcoSport. Apresentação não significará venda imediata. Demorará algum tempo, mas não como a projetada apresentação ao Salão do Automóvel, em outubro. É que os executivos da Ford tomaram um susto com o primeiro mês cheio nas vendas do novo concorrente Renault Duster. Como novidade, preço menor, maior volume e presença, o Duster vendeu mais, quebrando o encanto da inimaginável liderança de uma década. A Ford Brasil tentou ignorar o fato; pensou passar batido; fingir não ser com ela; mas engasgada pela poeira levantada pelo Duster, tocou o alarme e resolveu assumir a realidade. Se o evento deixar de ser pontual e se tornar evidência, deve re alinhar os preços do Eco, em linguagem de mercado, reduzir ou criar vantagens financeiras e acelerar o projeto de lançamento. Segundo um fornecedor, a Ford passou a mão no chicote para correr com o fornecimento das peças para o novo EcoSport. As ilustrações foram colocadas na Internet pela Ford India, logo recolhidas, porém o “Blogauto” argentino foi rápido e registrou. (foto acima)
RODA A RODA – De corrida – A Ford norte-americana fará 50 unidades do Cobra Jet Mustang para competições. Novos motores, 2.9 com compressor ou 5.0 aspirado, chassi mais leve, é vencedor da categoria NHRA desde 2009. Nos EUA, US$ 86 mil (o aspirado) e US$ 93 mil com supercharger, respectivos e aproximados R$ 160 mil e R$ 180 mil.
Recorde – Novembro foi o melhor mês de vendas da história da Audi: 111.400 veículos, crescimento de 28%, devendo fechar o ano com 1,3M de vendas mundiais. Aqui, baixos números, 541 unidades em novembro, porém em percentual a marca cresceu 60% em relação a 2010. Dá certo o projeto de Paulo Kakinof, mandado da Alemanha para salvar a operação brasileira.
Mercoclio – R$ 180 milhões (400 milhões de Pesos) serão investidos pela Renault em 2012 na Argentina para moldar outro veículo sobre a plataforma do Clio, fazendo Renault de entrada. Previsão de produção anual de 100 mil unidades.
Consumidor – O Governo Federal quer dar força ao consumidor. Deve criar secretaria especial no âmbito do Ministério da Justiça e ampliar a operação dos Procon.
Correção – A Honda corrigiu os dados que informou relativamente ao motor do Civic 2012: a taxa de compressão não é 10,6:1, mas 11,7:1; e o pico do torque ocorre aos 5.000 rpm com álcool e 4.600 rpm movido por “gasálcool”.
Aproveita – Até dia 31 a Renault fomentará as vendas de seus comerciais Master pelo bolso: 40% de entrada, restante em 12 meses sem juros. Kangoo fomentado com 30% de entrada e 36 meses com taxa de 0,99%.
Racional – PSA, Peugeot Citröen é a primeira montadora a livrar o motor flex daquele penduricalho anti-tecnológico, o tanquinho de gasolina para partida a frio. Criou novidades como o aquecedor acionado quando a porta se abre.
Trato – Aplicou o ´Start Flex Bosch´ e fez meia-sola tecnológica no bloco de ferro: comando variável para a admissão; bomba de óleo com pressão variável; redução de atrito entre camisas, pistões e anéis; adotou a tendência mundial de privilegiar torque em baixa rotação. Como referência, é a maior potência em 1.6 nacional: 122 cv com etanol.
Mais – Seu bom motor 1.4 com bloco de alumínio só deverá receber o tratamento no próximo ano, no pequeno 208.
Família – Para ônibus a Scania apresenta linha de motores dentro da linha mundial, com 9 e 13 litros e potências entre 250 e 440 cv. Unificação de blocos com aumento de cilindrada e novidades como pistão com anel raspador superior e, no cárter, eixos contra-rotantes eliminando vibrações de operação.
Off Road – Aproveitando segmento de máquinas agrícolas, industriais e geradores a MWM desenvolveu família de motores sobre a plataforma conhecida dos modulares 3, 4 e 6 cilindros. Leva o nome de MaxxForce e se antecipa às exigências, iniciando produzir no segundo semestre de 2012 pretendendo exportar para Europa e EUA.
Agência – A sino-brasileira CR Zongshen, detentora da marca Kasinski, cresceu 140% relativamente a 2010 e com 2,8 % do mercado, contratou as agências Leo /Burnett e Share Group. Quer crescer muito. Há espaço se os produtos forem bons. E separar dentre os chineses é que é.
Briminha – Brasiliense Felipe Nasr, vencedor do Sunoco Rolex 24 e campeão britânico de Fórmula 3, prepara-se para encarar às 24 Horas de Daytona, EUA, 28 e 29 de janeiro. Fará oito sessões de treino a partir de 6 de janeiro. Já é vitrine mundial.
Generosidade – A revista Racing tem publicado textos de Bird Clemente, o ex-primeiro piloto profissional do país. Histórias saborosas, detalhes de poucos conhecidos, elegante, generoso. Neste mês fala sobre Wilsinho Fittipaldi.
Imprensa – Não lembrei e sintetizo lembrança do jornalista Rogério Louro, registrada no site Jornalistas & Cia: um século da Revista de Automóveis, pioneira do setor, no Rio de Janeiro, quando a frota era mínima. Durou até poucos anos. O título foi retomado por Murilo Reis, também no Rio, de 1954 a 1962. Atualmente é site do decano dos jornalistas especializados, o Mário Pati: www.revistadeautomovel.com.br
Gente – Dona Cristina Fernandes de Kirschner tomou posse para o segundo mandato presidencial na Argentina. Discurso de sobriedade para os novos tempos de improjetáveis dificuldades e exemplo ao chegar de Passat CC, substituindo o Audi A8, maior e mais caro, até então utilizado. Efeito-demonstração: lá, como cá, o carro de serviço presidencial não é comprado, mas cedido. Aqui Ford, lá VW. OOOO (Roberto Nasser / Fotos: divulgação)