O grande prêmio de Fórmula 1 da Inglaterra, ocorrido ontem (10/7) no circuito de Silverstone, foi, na minha opinião, o segundo melhor do ano (pois o 1º foi o show de Button na chuva vencendo após parar 6 vezes no box). Não pela vitória da Ferrari (minha segunda marca predileta, depois da Porsche) e, muito menos pelo triunfo de Fernando Alonso, a meu ver (depois do Senna) o melhor piloto que já guiou um F1.

Alonso: primeira vitória (suada) em 2011
O que deu gosto de ver foram alguns erros “humanos” que freqüentemente ocorriam no passado para o deleite de quem gosta de corridas de verdade, sem tanta tecnologia a auxiliar – os ainda corajosos – pilotos. A Ferrari, por exemplo, faturou a prova por um erro de um mecânico da equipe RBR. O “macaco” traseiro (guindaste manual para levantar o carro) simplesmente travou (por mau uso ou mesmo por quebra) e aí, o piloto espanhol ultrapassou calmamente Sebastian Vettel no corredor dos boxes. Não fosse isso, pelo atual desempenho dos bólidos da Red Bull, a vitória teria sido mais uma vez um disparate de Vettel (ou Weber) em cima dos outros.

McLaren-Honda de Ayrton Senna "explodindo" numa reduzida
A fase atual da RBR muito lembra uma época em que Senna e Prost (com aqueles McLarens-Honda que mais pareciam uma carteira de cigarro da Marlboro…, lembra?) faziam todas as ´poles´ e venciam tudo: campeonato de pilotos, maior pontuação de construtores, voltas mais rápidas, maior velocidade final, melhores marcas em todos os trechos de todos os circuitos… ufa! Isso, para nós brasileiros foi motivo de orgulho e alegria nas manhãs de domingo quando ouvíamos os berros de Galvão Bueno a ovacionar Ayrton Senna, mas, pode ter certeza: deve ter irritado a meio mundo de gente planeta afora. Obviamente, deve-se reconhecer que o conjunto da RBR (motor Renault + genialidade de Adrian Newey) sem esquecer, é claro, do talento excepcional (principalmente) de Sebastian Vettel, é maravilhoso. Os carros da RBR andam bem em todas as situações climáticas e em todos os circuitos. Muito provavelmente Vettel será bicampeão com uma antecipação de corridas jamais vista. Do jeito que as coisas estão ele deverá terminar o campeonato apenas para cumprir tabela. Enfim, Alonso venceu, mas, experiente que é, sabe que não foi mérito de melhoria de comportamento dos carros da Ferrari. Obviamente, Alonso tem tirado leite de pedra para ao menos tentar manter-se próximo aos carros da RBR e, por isso (pelo seu talento fora do normal) tem conseguido participar dos pódios, coisa que Felipe Massa não consegue fazer após aquele acidente em que a mola (do carro do Rubinho) quase o matou perfurando o seu crânio. Outra cena bacana (obviamente decepcionante para Jenson Button) foi a falha do mecânico em não apertar a porca da roda dianteira direita do seu carro. Um erro banal que o tirou da prova. Mas, graças a Deus! Foi outro erro humano, tão comum num passado recente da Fórmula 1 e que dava às corridas ao menos uma pitadinha de sangue, suor e lágrimas.
Faz muito (muitíssimo) tempo que não vejo um piloto desolado na beira da pista porque o seu carro simplesmente estourou o motor ou sofreu uma pane seca (por falta de gasolina). Faz muito tempo também que não vejo disputas feitas homem a homem sem aquela maldita interferência dos organizadores da prova a partir de um “replay” do vídeo da pista. Posso saltar para o futebol? O que seria da cultura futebolística se não houvesse um errinho de um juiz ou bandeirinha? No dia em que pararem a partida para rever um impedimento pelo telão será o fim da picada. Na corrida de ontem, na última curva, uma linda disputa entre Felipe Massa (Ferrari) e Lewis Hamilton (McLaren). Arrancaram tinta e pedaços dos carros e o inglês, mais ousado, levou a melhor, cruzando a linha de chegada 24 milésimos de segundo a frente. A partir daí, imediatamente, comentários sobre a possibilidade de a Ferrari entrar ou não com uma representação contra a equipe inglesa em favor de Massa. Ninguém merece… A Fórmula 1 (em opinião bem pessoal) já foi muito mais linda, mais combativa e glamourosa. Que bom poder ter testemunhado carros com carburador, com roncos diferentes e que possibilitavam à nós (os semi-frustrados, por não estar lá dentro acelerando) aquele “algo mais” como por exemplo, o barulho das trocas de marchas manuais, a explosão do escapamento nos motores turbo e, no frigir dos ovos (e durante toda a corrida) a incerteza de que piloto A ou B, mesmo liderando, terminariam ou não a corrida.

McLaren Porsche, de Prost: ronco mais bonito que já vi num F1
Carros de Fórmula 1 não quebram mais, são muito homogêneos e parecem uma salada de pepino com chuchu sem tempero algum. Que saudade do ronco dos McLaren-Porsche dos anos 1980… (Fotos: divulgação)