
Belíssima (e muito premiada) Mercedes Special Roadster
Não é a maior, mas é a melhor. Se você tem alguma paixão por carros antigos, admira, coleciona ou apenas quer observar de perto, programe-se para qualquer dia desses freqüentar o charmoso encontro “Pebble Beach Concours D´Elegance”.

Raridades: 25 das 37 Ferraris 250 GTO construídas estavam lá
A 61ª edição ocorrida agora em 2011 (como sempre na Califórnia) é o que há de mais elegante e primoroso no antigomobilismo. Não estranhe: o vocábulo ´antigomobilismo´ há tempos foi incorporado ao Dicionário Houaiss. A mostra se repete há mais de meio século e no mesmo lugar. O buraco Nº 18 do campo de golfe do imponente Hotel The Lodge (incrustado na baía de Pebble Beach, discreta praia localizada entre as cidades de Monterey e Carmel) comporta anualmente – sempre no mês de agosto – exatos 200 automóveis antigos da melhor qualidade. Dois pontos a se ressaltar: em todos esses anos o acervo jamais se repetiu e o local é um dos poucos a oferecer a oportunidade de se ver, por exemplo, algum carro de 1917 em estado de “zero quilômetro” como se tivesse saído da linha de montagem no dia de hoje.

Charme inglês: incrível Rolls-Royce com capô lapidado em alumínio e aço
Os norte-americanos são perfeccionistas e adoram preservar a história da mobilidade humana sobre rodas. Não há quem chegue (nesse ramo) ao mesmo patamar de qualidade. Para agradar a pessoas que querem ver, além de uma preciosa restauração automotiva, vez por outra eles expõem algum veículo com cicatrizes reais. É a famosa ´pátina do tempo´, muito apreciada por colecionadores argentinos de carros antigos, que valorizam esse tipo de característica.

Detalhes incríveis de acabamento nesse outro Mercedes
Brilho constante >> No ano passado, momento em que também fizemos a cobertura por lá, a edição outra vez foi especial. Além dos 60 anos de aniversário do próprio encontro, a Alfa Romeo completou 1 século expondo, senão todos, os mais especiais modelos de rua já fabricados em série (ou apenas protótipos) e também seus históricos carros de corrida. Agora em 2011, mais celebrações: a Jaguar comemorou os 50 anos do lendário ´E-Type´ e a Ferrari também apagou 50 velinhas para um dos seus mais festejados bólidos. Para se ter uma idéia do poder de congregação e do esmero da produção do evento, das 39 Ferraris 250 GTO construídas, 22 estavam por lá (lado a lado) sendo emolduradas pelas águas do Pacífico. Um deleite para quem tem gasolina nas veias.

Juízes possuem ‘olhos de águia’ em análises criteriosas
Visitar esta mostra é uma coisa tão impactante que causa uma espécie de distorção no olhar. Há tantos carros incríveis que é difícil conseguir ver todos os detalhes. Em 2010, por exemplo, lá estava (pela 1ª vez fora da garagem do seu colecionador) a única Ferrari com “rabo de peixe” que foi feita experimentalmente pela empresa Ghia em parceria com a marca italiana. Para quem curte a Fórmula Indy, num setor especial, uma rara chance (que não mais se repetirá, dada a política da festa): todos os carros campeões da categoria estavam lá e funcionando…

Momento raro: ao centro, Sir. Stirling Moss e à direita, John Surtees
Estrelas >> Agora em 2011, no meio de tantas jóias móveis, presenças ilustres: os mitológicos (octogenários e fantásticos) pilotos Stirling Moss e John Surtees lá estavam a conceder entrevistas, dar palestras e participar do movimento, acreditem, guiando alguns de seus mais velozes carros. Ouvir o espetacular ronco do Mercedes-Benz 722 de Moss, que bateu recorde e venceu a edição da Mille Miglia de 1957 ainda com todo vigor (como diria o slogan da propaganda do cartão de crédito) ´não tem preço´… Observar veículos com faróis de cristal com molduras da mais nobre madeira ou ver modelos que traziam como acessórios de fábrica, malas da Louis Vuitton, também não tem preço. Outra estrela que adora carros e tem uma linda coleção, Jay Leno, astro do “The Tonight Show” na TV americana, expôs apenas um dos seus maravilhosos automóveis.

Raro Fiat 8V, o famoso “Otto Vu”, um dos modelos mais interessantes
A viagem é cara e longa. Se tens disposição para encarar muitas horas de vôo com algumas conexões e escalas (geralmente via Miami e Los Angeles), Pebble Beach pode ser a sua praia. Durante a semana que acontece o evento, os preços dos hotéis chegam a quadruplicar, daí, uma estada diária pode chegar a custar 400 dólares (ou mais!). Obviamente, reservas antecipadas minimizam esses valores, mas, mesmo com taxas tão elevadas, a diversão vale muito à pena, pois Monterey e Carmel transformam-se no ponto mais badalado de carros antigos (e novos também) do mundo. Não raro, serás acordado por algum ronco de um Camaro dos anos 70´ ou um Lamborghini com motor original.

Um Lola com mais de 400 cavalos prontinho para acelerar em Laguna Seca
Atrações periféricas >> Além dos imaculados (duzentos) exemplares antigos da exposição nos gramados de Pebble Beach, os entornos de Monterey se transformam no ápice da luxúria automotiva. Na entrada da própria exposição, marcas famosas exibem seus últimos modelos para os clientes abastados. Jornalista credenciado não paga ingresso. Afora a imprensa especializada, qualquer um tem que desembolsar 200 dólares para assistir ao show entre 10 da manhã e 5 da tarde, apenas no domingo. Carros exóticos, desfiles de gente bonita e rica. O ar cheira a champagne e charuto. Lindas mulheres exibem chapéus, jóias, roupas de sêda e magros cães Galgo. Vale tudo para se destacar por lá.

O leilão da Quail Lodge mostrou lindas peças, como esses raros F-5.000
Ao redor do furacão, incríveis leilões como os das firmas Quail Lodge, RM Auctions, Russo & Steele e Goodwing movimentam milhões. Um investidor pagou exatos 16.39 milhões de dólares numa Ferrari Testa Rossa! Inacreditável, não?
Há, também, o ´Concorso italiano´, originalmente uma ótima idéia que reunia num só lugar um mar de Ferraris e outros ícones italianos, como Alfa, Fiat, Lancia, Lamborguini e Maserati. Hoje, já não tão seleto quanto antes, abriu as porteiras e loteou áreas mesclando outras marcas e perdendo a interessante essência inicial. O ingresso custa US$ 130 para quem quiser ver, principalmente, as jóias de Enzo Ferrari.

Obra de arte: esse motor de Ferrari merece ser exposto numa vitrine
Para quem gosta de Porsches, BMWs, Fórmula 1… >> Trono de grandes disputas, portal de incontáveis emoções, o autódromo de Laguna Seca é, provavelmente na opinião da maioria, o momento mais especial dessa movimentada semana em Pebble Beach. Inimaginável acreditar que no meio de um lugar inóspito, numa fazenda com terra árida, haja tamanha vida automotiva. Ali, exatamente 1.000 automóveis de corrida revezam-se em espetaculares baterias de 10 voltas proporcionando pegas alucinantes para o delírio dos fãs.
Contabilizei racional e emocionalmente: foram os 90 dólares mais bem pagos da minha vida. O ingresso dá direito a ver um dia cheio de corridas que começam com carros dos anos 1920 (!!) preparados para a pista e com pilotos vestidos a caráter. Não há atraso. Dez minutos após o término de uma bateria (de 10 voltas), outra corrida de categoria diferente recomeça a festa. Difícil não se emocionar vendo Porsches dos anos 60´, BMWs, Lolas, Fórmula 1, Bugattis, Lamborghinis e toda espécie de veículos de corridas que você já imaginou ver na sua vida. Todos funcionando e acelerando pra valer! Havia até uma Ferrari 250 GTO (avaliada em 25 milhões de dólares!) exibindo o seu ronco monumental. Para quem ama máquinas e motores, programa imperdível e emocionante em alto grau. Detalhe: o autódromo de Laguna Seca oferece o melhor cachorro-quente dos Estados Unidos. Com uma Coca-Cola geladinha, a brincadeira fica por 12 dólares.

Negócios e diversão: exposição de material decorativo para garagens
Transpiração histórica >> Incrível caleidoscópio metálico, instigador dos sentidos e colírio para os olhos, a semana do ´Pebble Beach Concours D´Elegance´ é uma massagem na alma de quem gosta de automóveis. Aquele pedacinho da Califórnia é o melhor entre o que pode haver de máximo nesse tema. Nos 125 anos da comemoração da criação do automóvel, a Mercedes-Benz, inventora do primeiro triciclo motorizado – e precursor de tudo o que há até hoje – mostrou belos exemplares. Além dos clássicos alemães, outro (italiano) raro carro a ser percebido em olhar mais atento: um Fiat Otto Vu (8V) novinho em folha, vermelho escuro, contrastava com o gramado (homenageando, sem saber) as cores da bandeira italiana. Lindos carros a transpirar elegância, charme e preservação histórica. (Fotos: FBA)