O símbolo do automóvel faz 125 anos
3 fev
Vamos combinar. Ninguém sabe com exatidão qual foi o primeiro veículo automotor. Talvez o Markus, do engenheiro austríaco do mesmo nome, em 1875. Mas ficou apenas no protótipo e sem produção em série, como muitos outros inquietos curiosos, técnicos, engenheiros à época iluminados por facho de inspiração fizeram surgir, mundo afora (leia-se Europa e EUA) veículos autopropelidos. Quem, 10 anos após o fez, e cartesianamente obteve documento formal de reconhecimento de patente foi o triciclo do engenheiro alemão Carl Benz. A Daimler-Benz insiste em grafar seu nome com “K”, mas de origem é com “C”. Coisas de algum pai do marketing com pretensões de ter interpretação mais importante que a história. Como inovava, sem nome para o gênero cujo registro expedido em 29 de janeiro de 1886, foi tratado de Motor Wagen, veículo a motor. //// É o símbolo do automóvel, com história ampla, a antecipar um século do que seria seu uso e seu mercado. Na prática a criação de Benz para nada servia. Fazia barulho, fumaça, espantava animais, incomodava pessoas. Tinha um registro oficial de patente mas, imóvel tralha, tomava lugar dos animais e dos veículos de tração a sangue no estábulo, a futura garagem da família Benz. Policialmente proibido de circular, em agosto de 1888, dois anos e meio após a patente, instigou dona Bertha, 39, esposa do insistente Benz, sócia nos apertos domésticos pelo desenvolvimento do veículo, cansada de ouvir críticas dos pais, vizinhos, polícia e outros idiotas cegos para o início da mudança no mundo, botou ordem no negócio. Num amanhecer, com seus filhos Eugen (15) e Richard (13), empurraram o carro – uma charrete com roda dianteira – e saíram de Manheim indo parar na casa da mãe de Bertha, em Pforzeim, a 120 quilômetros de distância. Um sacrifício. O motor, 4 tempos, monocilíndrico, deslocava 954 cm³ e produzia 2/3 de HP a 250 rpm. Charrete-wagen e motor pesavam 300 quilos e, na prática, entre peso, carga e potência equivale usar motor de Fiat Mille para mover um ônibus. Há quem se perca nos detalhes, interprete, romantize a viagem, enfeitando-a com intervenções de dona Bertha, como utilizar os alfinetes do chapéu para desentupir o ´gigleur´ do carburador (nem um nem outro existiam então…) ou sacar a liga elástica de uma das meias e substituir mola metálica ou sacrificar seu cinto e o dos meninos como material abrasivo para os freios. Romance ou não, são irrelevantes. Fato claro, a decisão de dona Bertha resolveu muitas questões: tampou o incômodo no âmbito familiar e em seu burgo: exibiu utilidade; provou (com todo o respeito, mas visto o cenário de época) até uma mulher era capaz de dirigir o tal de Motor Wagen; sinalizou o início da mobilidade, encurtando em dias a distância se percorrida a cavalo ou carroça; e deu nome ao composto químico utilizado para limpeza e que, daí em diante se chamaria, obviamente, Benzina. //// Viabilizou o negócio. Os jornais das cidades cruzadas pelo pioneiro veículo deram ampla cobertura, distribuindo-a pelo telégrafo e, quando Dona Bertha e os ´benzinhos´ voltaram, já haviam encomendas. Benz produziu outra unidade e levou-a para a Feira Mundial de Paris, em 1889 e de lá voltou com outros pedidos viabilizadores do negócio. O resto entre percalços e vitórias, está aí com a estrela de três pontas, mito e meta. Há a considerar a coragem de dona Bertha como o grande indutor e à quebra do paradigma que mulheres não conduziam, eram conduzidas, demarrando a influência feminina sobre o mercado de automóveis, hoje entre compras próprias e influência, projetada em 70%. Ponto final, somou-se às evidencias geradoras de frase sintética: “Se é para explicar, chame um homem. Para fazer, uma mulher”. (Roberto Nasser/Imagem: divulgação)










Vou plagiar a propaganda de cartões de crédito: Ter a sensação de ir da imobilidade aos 100 km/h em pouco mais de 5 segundos, acelerando um legítimo ´muscle car´ norte-americano, não tem preço… /// Integrante do respeitado (e adorado) esquadrão que envolve Ford Mustang, Dodge Challenger R/T e Chevrolet Corvette, o Camaro SS é um dos lendários modelos esportivos norte-americanos que fizeram sucesso a partir da metade dos anos 1960. Provido de doses exageradas de testosterona, esse carro sempre despertou o desejo de muitos aficionados por esportivos. Justamente por isso, por uma paixão alagoana pelo tipo, pude acelerar essa máquina importada da terra do Exmo.Sr.Barack Obama. Com vocês, o ilustríssimo Sr.Camaro SS e seus estonteantes 426 cavalos de força! >>> História – Data de 1966 o lançamento do Camaro. Em apenas um ano de existência, o veículo fez tanto sucesso nos Estados Unidos que logo foi eleito o ´Carro Madrinha´ (Pace Car) oficial da mitológica corrida “500 Milhas de Indianápolis”, até hoje uma das mais respeitadas disputas do mundo automobilístico. Entre o primeiro Camaro construído em 1966 até o último em 2002 (ano da interrupção da produção), várias versões com carrocerias e tipos de motores diferentes foram feitas, inclusive algumas com 6 cilindros que privilegiavam mais o conforto e economia do que a performance. >>> Face – Muito bonito e bastante imponente pelo tamanho avantajado de sua carroceria, o Camaro SS 2010 praticamente segue a tendência dos seus antepassados: traseira curta, interior mediano (com bom espaço apenas para dois adultos e duas crianças atrás) e frente, obviamente longa, para comportar o enorme motor V8 de 6,2 litros (6.200 cm³) e
potência de 426 hp. /// A frente da máquina caracteriza-se basicamente pela enorme e estreita grade que desenha constantemente uma cara de mau, excepcional assinatura do time de designers da GM que conseguiu uma ótima equação para carimbar (e perpetuar) a marca Camaro nesse novo modelo. Antes de decidir colocar em prática a construção do ´novo´ Camaro, a General Motors expôs pelo mundo um protótipo que é praticamente igual a este que você vê nas fotos desta matéria. Ele esteve aqui no Brasil em 2008 no Salão do Automóvel de São Paulo e fez um baita sucesso. /// As laterais distinguem-se pela protuberância dos ´músculos´ metálicos. Os pára-lamas (principalmente os traseiros) alargam o conjunto de maneira significativa, mas dentro de um limite estético elegante. Já a traseira é um caso de amor à parte. As quatro lanterninhas quadradas adornadas pelo pequeno aerofólio e pelas duas saídas dos escapamentos multiplicam o charme tão característico dos Camaros. Em qualquer ângulo o novo Camaro SS é agradavelmente apresentável. >>> Linha de fogo – O que move esse (e vários outros modelos da GM) é uma bela usina de força construída com 8 cilindros dispostos em “V”. Boa parte desse propulsor denominado de “LS3” é confeccionada em alumínio. É o mesmo que serve, por exemplo, ao Corvette. São 16 válvulas e 8 pistões excepcionalmente bem equilibrados (diria que chegam à perfeição de possuir o mesmo peso cada) equacionados com moderna injeção de gasolina por bicos eletromecânicos e, antes disso, dotados de uma longa história, de um vasto currículo que envolve variações de potência e melhorias feitas pela própria fábrica, além da ousadia dos preparadores de motor para corridas. Pra quem gosta de um som grave e imponente e de força bruta despejada sem muita cerimônia…, é um prato cheio. >>> Veredicto – O Camaro SS 2010 representa a novíssima geração de um veículo amado principalmente por quem o inventou: os americanos. A fama se fez tão significativa que há uma legião de apaixonados por esse carro, um dos esportivos mais carismáticos e bem equilibrados que existem em produção moderna. Apesar dos seus quase 500 cavalos de força (pois o modelo testado recebeu alguns ´up grades´ que elevaram a potência original), este “SS” é interessante pela configuração que passa bem longe do famoso “8 ou 80” de algumas Ferraris, por exemplo, que só andam bem em altíssimas
rotações. O Camaro SS possui câmbio manual de 6 marchas à frente + ré (opção pouco utilizada nos EUA, pela preferência da caixa automática) e, mesmo com o câmbio na sexta e em baixa velocidade, não há protesto algum, do tipo tremedeira pedindo marcha mais curta. Relativamente prático de guiar (e fácil de ser acessado pelas duas grandes portas dianteiras) o bólido anda mansinho, obedecendo exatamente às ordens do dono, como um veloz potro adestrado. No entanto, se você exigir o fôlego máximo dele…, creio que terás medo de atingir os 255 km/h limitados eletronicamente. Ao menor sinal de rédeas soltas, o bicho levanta a cara e começa a rugir feito um leão! A partir daí, pura emoção em dirigir um lendário modelo digno de elogios pelo acerto de suspensão, desenho impressionante e teor de exclusividade. Para parar o bicho? Enormes discos mordidos pelos indefectíveis freios Brembo e pelos magníficos pneus 245/45/20 (na frente) e 275/40/20 (na traseira). /// Por dentro, o interior bem “retrô”, com mostradores mistos de agulha e indicação digital não passa a idéia de se estar a bordo de um esportivo moderno e sim de um clássico. O volante é de boa empunhadura e ótimo tamanho. A embreagem é estranhamente macia e o charme nas ruas funciona como um ímã de apreciação pela bela máquina. Ou seria inveja? Um pouquinho dos dois… (F.Amorim/Foto: FBA)