
Isard, melhor carro em duas categorias
Um pequeno Citroën 3 cv, 1973, foi o escolhido pelo voto dos expositores e o (ainda menor) Isard 400 (de 1962), por votação popular dos projetados 20 mil visitantes da 3ª Expo Auto Argentino, ocorrida no domingo passado (18/3) num gramado eqüestre na cidade de Moreno, cerca de 40 quilômetros de Buenos Aires. Curioso, no país detentor da mais rica e refinada frota de veículos antigos na América do Sul, um carrinho com motor de dois cilindros, 800 cm³, menos de 40 cv, leve a taça dos apreciadores dos carros antigos. Mas só podia ser assim. O evento, como claramente informa, é para autos argentinos, um esforço nacionalista para salvar e preservar a história e a representatividade do empreendedorismo, da tecnologia aplicada pelos argentinos na variedade de produtos que marcaram o evoluir de sua indústria.

Eniak Antique, uma das raridades na exposição argentina
O vizinho país tem maior leque de marcas e iniciativas locais distante das grandes montadoras, e preserva referências como o surpreendente projeto e construção de motores. O belo V8 (refrigerado a ar) equipando o primeiro Justicialista é o melhor exemplo.
Há três anos, dois historiadores, Gustavo Feder e José Luiz Murgo resolveram implantar o conceito junto aos colecionadores argentinos. O Rotary Club de Francisco Alvarez, à frente um incansável Alberto Rosso, aderiu para divulgar, facilitar, envolver-se, cobrando 10 pesos (R$ 5) de entrada para os fins sociais onde se aplica. A festa vem num crescendo em divulgação, expositores, feira de peças, barracas de alimentação e, mais importante, a consciência do orgulho nacional por participar da história. Autoridades locais deram o ar da presença, o Governador do Rotary, alcaide (prefeito) da cidade e parlamentares.

O Justicialista: Fibra de vidro, motor V8 em alumínio, projeto e construção argentinos
Vale a pena >> Antigomobilistas brasileiros invadem Buenos Aires especialmente em outubro para ver a Autoclasica, maior das exposições de veículos antigos na América do Sul. Neste ano havia apenas um na Expo Auto Argentino: Roberto Nasser, Curador do Museu Nacional do Automóvel, convidado e tratado como Autoridade Brasileira para trocar experiências e visões do objetivo comum. O Museu é voltado aos veículos brasileiros e tem vivência ao realizar, há 10 anos, o Carro do Brasil, exposição a eles exclusiva. A Expo Auto Argentino é novidade para brasileiros. Aos olhos sem vivência histórica, quase todos os veículos são surpresas, apesar das décadas de trabalho para pavimentar a indústria automobilística na Argentina. Os 21 clubes participantes afinaram a qualidade de seus representantes, dentre muitos a base da indústria argentina do pós-guerra, Rastrojero, um picape estatal nascido com motor de trator; Justicialista, com motor próprio ou de gerador Porsche; Di Tella; picapes Gringo (uma variação criada pela IES, a fabricante do Citroën 2 e depois 3 CV); toda a renca de Chevolets, Fords, Chrysler lá montados. A raridade do Face Fissore, modelo especial feito pela Fratelli Fissore para a Automotores Santa Fé, lá montadora dos DKW Auto Union. Os Fissore desenvolveram o carro com seu nome para o mercado brasileiro. O nosso, elegante sedã duas portas. O argentino, cupê esportivo. E coisas especiais, como Lotus Seven produzidos by apointment of Colin Chapman, fundador da marca e criações como esportivos para abrigar a mecânica dos Citroën 2 e 3 CV; um raríssimo Andino, esportivo com chassi próprio para comportar entre o eixo traseiro motor e câmbio de Renaults Gordini e R 12 – aqui, o Corcel. A meu gosto, a oportunidade de ver os Ford Taunus GT, um Mustang em escala, com motor Ford 2.3 OHC feito em Taubaté (SP); e IKA Torinos em profusão, incluindo a versão 380W afinada pelo mago Oreste Berta. O Torino tem base de Rambler norte americano, carroceria acertada por Pininfarina, mecânica envolvendo muitíssimos interessados, incluindo o penta campeão mundial Juan Manuel Fangio e Berta. Destaque para o Eniak Antique, linhas de esportivo inglês em chassi próprio e motor de origem inglesa, o Dodge 1500, base do nosso Polara 1800. Projeto de Pedro Campo, engenheiro de carros de corrida e ultraleves. Enfim, uma aula de antigomobilismo. Vale a pena? Si, como no, por supuesto…

Roberto Nasser (de chapéu), Curador do Museu Nacional do Automóvel de Brasília na exposição em frente à um Miura nacional
Quem ganhou? >> Uma curiosidade, o julgamento é chamado Concurso de Estado. O júri é de colecionadores, indicados pela Federação de Antigomobilismo local e usa os critérios internacionais. A pontuação se faz pelo Estado, daí o nome, e isto quer dizer a proximidade visual entre o carro exposto e o original. Concurso de Estado: Categoría E (Siam Di Tella 1500, 1960); Categoría F (Isard 400 coupé, 1961); Categoría G (Citroën AZAM 28, 1971); Melhor auto voto de público (Isard 400 coupé, 1961); Melhor auto voto dos expositores (Citroën 3CV, de 1973).

O coreano Hyundai Genesis: alto luxo para brigar com os alemães tradicionais
Anti Mercedes, BMW, Audi, o Hyundai Genesis >> A proposta é corajosa: vender o coreano Hyundai a preço de BMW, Mercedes, Audi, outros automóveis cujo preço os separa do primeiro degrau da motorização importada. Mas é o objetivo da Hyundai com o Genesis. Sedã grande, motor V6, 3.8, 32 válvulas com abertura por gerenciamento eletrônico, 290 cv, transmissão automática com 8 velocidades, ótima distribuição de peso, pacote de segurança e de confortos como tem sido marca dos sedãs coreanos da Hyundai e sua irmã Kia. Vamos combinar, a qualidade dos coreanos tem-se imposto no mundo, sua capacidade em buscar designers ocidentais, de rechear os veículos de detalhes eletrônicos que geram conforto. Mas no Genesis a questão supera a da qualidade, colocando uma dúvida e seu resultado poderá ser dado para balizar o futuro do mercado: no Brasil os coreanos conseguem peitar os europeus no segmento superior de nome, tradição e imagem de status? Você, com R$ 220 mil para investir na rubrica automóvel, trocaria um Mercedes, BMW, Audi, outro de marca tradicional por um Hyundai? Resposta para os sociólogos das vendas.

Mini Roadster: charme relevante, desenho curioso
Roadster, o Mini de boné >> Fazer conversível é fácil: tira-se o teto, soldam-se uns reforços inferiores e a engenharia maior é para fazer a capota funcionar bem. Para fazer o seu, chamado de Roadster, a BMW inovou: encurtou a plataforma para ser um carro exatamente para duas pessoas e sem ociosidade de espaço, como caracteriza este conceito revolucionário desde o fim da década de ´50. Conseguiu resultado marcante, engraçado, divertido em estática e dinâmica. Parado, sem capota é jovial. Com ela, divertido, pois lembra um boné com a aba para trás. Dinamicamente a relação entre a distância que separa os eixos e sua largura enfatizam o comportamento de kart, reativo e sempre à mão, direção elétrica, aparatos pró-estabilidade. Para completar, motorizações 1.6, 16V, gerenciamento eletrônico para abertura culminando em 120 cv de potência. Opção turbo (com os motores usados pela Peugeot no 3008, RCZ e 408) com 184 hp. Uma alegria, esta formiga atômica faz zero a 100 km/h em 7 segundos e velocidade final cravada 227 km/h. Na sua garagem por: R$132.950 (versão Cooper, aspirada) e R$144.950 (Cooper S, turbo)
Roda-a-Roda
Dúvida – A BMW ameaçou (através da imprensa internacional) suspender o projeto de construir fábrica no Brasil. Seria em São Paulo ou Santa Catarina e o produto, o BMW Série 1. As vendas da marca caíram 75% nos dois primeiros meses do ano e não há regra para garantir rentabilidade. Sem lucro não há investimento.
A sério – O Brasil, por conta da falta de planejamento e programas, com medidas tomadas sem aviso e para resolver o dever do dia, como os 30 pontos sobre o IPI dos importados, está apagando uma das parcelas da conta exigida pelos investidores estrangeiros, a segurança jurídica.
Chegando – Iniciou chegar à Argentina o Sonic, carro com que a General Motors quer substituir o Astra, vindo da Coréia do Sul. No Brasil crê-se seja trazido desmontado. Versões hatch e sedã, decorações LT, LTZ e LTZ + automático, todos com motor 1.6 e 115 cv.
Versão – Série pequena de 4.300 unidades, criada em cima do cavalo de batalha da Renault, o Sandero Stepway. É a Rip Curl, marca de roupa de surf. Para caracterizar, detalhes de decoração como maçanetas externas em inox e equipamento para guardar roupa molhada de surfistas. A (médios) R$ 43.990.
Dúvida – Apesar de a imprensa garantir a produção do Lodgy no Brasil, a diretoria da Renault ainda não resolveu. Hoje há definições mais importantes. Lodgy é mais um produto no processo de Dacialização da Renault brasileira. Sua plataforma mecânica é a mesma do Logan, Sandero, Duster. Supriria a ausência do Renault Scénic.
Organização – A Prefeitura de Osasco, grande São Paulo, proibiu a circulação de veículos de carga com mais de 7,2 m de comprimento e 2,3 m de largura. Para organizar o trânsito, como ocorre na capital e nos municípios do ABC.
Caminho – Após conhecer a praça e seu potencial a SKF, fabricante sueca de rolamentos e serviços industriais, implanta plataforma regional de negócios. Começa em Macaé (RJ), e em seguida Três Lagoas (MS), Camaçari (BA) e Belo Horizonte (MG). Quer faturar R$ 6M com estas unidades.
Economia – Union Fibras, de Caxias do Sul fornecerá fibras de polipropileno para isolamento termo-acústico para as cabines feitas pela Real, de Novo Hamburgo. Com menores custos substitui a manta asfáltica. É reciclável.
Mudou – Nova cara mundial para os revendedores Ford, a “Trustmark” estará nas novas revendas ou nas reformas e troca de endereço da atual rede. Frente limpa, em cinza metal, pé direito duplo, envidraçado, oval da marca grande e em azul e o da revenda em letra caixa.
Mineirim – A fábrica Mercedes-Benz em Juiz de Fora (MG), transformada da produção e montagem de automóveis para fazer caminhões, já iniciou entregá-los. Seu poderoso frotista Femsa, engarrafador de Coca-Cola, foi o primeiro cliente dos modelos Accelo 1016C.
Fórmula 1 – Cristina Kirscher, Presidente da Argentina garantiu, o país retornará ao circuito da Fórmula 1 no próximo campeonato. Antes de ser cortado da rota do circo, o Autódromo de Buenos Aires marcava a abertura da temporada.
Circo - O circuito será de rua, na cidade de veraneio de Mar Del Plata. Para o governo levar a prova para lá custará US$ 40M por edição. Investimento para colher gastos e impostos com negócios e visitantes? Parece investimento político, pois o acordo é por três anos, a duração do mandato da Presidente.
Antigos – Há 45 anos o Ford Galaxie iniciou ser montado no Brasil. Solução local, com motor de caminhão F 600, V8. Foi e é a grande referência de produto e construção no Brasil, primeiro a oferecer direção hidráulica e transmissão automática no país. Seu rodar confortável e imponência, levaram-no a ser utilizado por 20 anos como automóvel do Presidente da República. (Roberto Nasser / Fotos: divulgação)